Quilombo Cafundó, no interior de São Paulo
Paulo Liebert/Agência Estado
Quilombo Cafundó, no interior de São Paulo

Com mais de 50 comunidades quilombolas reconhecidos no estado de São Paulo, o grupo estaria entre as prioridades para receber a vacina contra o novo coronavírus . Porém, a população não consta na primeira etapa do plano de vacinação. As informações foram apuradas pelo G1. 

De acordo com o plano divulgado no final do ano passado, a população quilombola, junto com os indígenas, idosos com mais de 60 anos e profissionais da saúde, seriam os primeiros a recebem o imunizante. Quando questionada, a secretaria de saúde disse que o grupo foi retirado porque a Anvisa não teria liberado o uso da  CoronaVac  em quilombos. Porém, a Agência declarou que a informação divulgada é não verdadeira e que não apresentou nenhuma restrição sobre sua aplicação. 

Nesta segunda (18), com a antecipação feita pelo  Ministro da Saúde em relação ao início das vacinações, o STF notificou ao governo federal que uma atualização do plano de vacinação deveria ser feita. Líderes de comunidades quilombolas dizem terem sidos pegos de surpresa com essa mudança repentina no plano de São Paulo e dizem que já estão recorrendo de decisão no Ministério Público. 


A Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras (Eaacone), que reúne quilombos do Vale do Ribeira, desejam que o governo reavalie sua decisão e inclua a comunidade quilombola já na primeira etapa de vacinação. O site VacinaJá, criado pelo governo do estado, os quilombos já não aparecem no plano da primeira fase de vacinação. 

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Regina Aparecida Pereira, residente do quilombo Cafundó, em Salto do Pirapora, no interior do estado, disse que chegou a ser convidada para a cerimônia de imunização comandada pelo governador João Doria (PSDB) no domingo (17). Um dia depois, ela ficou a par da situação de que os quilombos não constam mais no plano da primeira fase. 

“Eu liguei pra secretaria e descobri que já não éramos mais prioridade. A explicação que ela deu foi que o Ministério da Saúde que tirou. Mas ainda hoje nós recebemos informações, panfletos de Sorocaba, que falam que quilombolas são do grupo prioritário. Aí a secretaria me falou que essa informação era antiga, que a gente continua sendo prioridade, mas não tem mais data pra começar a vacinar”, conta Regina Pereira. 

Os quilombos, assim como os indígenas, sempre são alvos de campanhas de vacinação no Brasil. Tal fato se dá pela fácil proliferação de doenças entra essas comunidades e o difícil acesso a unidades de saúde. Em São Paulo , não existe maneiras de um infectado pela covid-19 ser reconhecido como quilombola. Mesmo com essa falta de dados, especialistas em saúde coletiva dizem que, a taxa da fatalidade entre essas comunidades é maior pela falta de acesso a unidades de saúde.  

Segundo a líder comunitária do quilombo Barra do Turvo, na região do Vale do Ribeira e também coordenadora estadual da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) em São Paulo, Nilce Pontes, as lideranças de sua comunidade ainda não foram procuradas pelo governo para que a pauta sobre o início da imunização fosse debatida. 

“A expectativa pela vacinação é muita grande. Todos nós estamos ansiosos, todas as comunidades de São Paulo. Mas, até agora, não fomos procurados por nenhum órgão, então não tem um planejamento. A gente está acompanhando o início da vacinação pela imprensa”, disse a líder. 

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