Após saída, Dallagnol defende diálogo e aproximação entre Lava-Jato e a PGR
Rodolfo Buhrer/La Imagem/Fotoarena/Agência O Globo
Após saída, Dallagnol defende diálogo e aproximação entre Lava-Jato e a PGR

Após o anúncio de sua saída de cena da operação Lava-Jato do Paraná, o procurador Deltan Dallagnol adotou tom conciliatório e defendeu o diálogo entre a força-tarefa do Paraná e a Procuradoria Geral da República (PGR).

Dallagnol, que deixou a função em meio a um embate com o procurador-geral, Augusto Aras, disse que uma aproximação entre o chefe e a força-tarefa de Curitiba pode "dissipar suspeitas".

Dallagnol e Aras travavam uma batalha pelo acesso aos bancos de dados sigilosos da operação e pela própria continuidade do modelo das forças-tarefas.

"As suspeitas se dissiparão se houver uma aproximação para melhor conhecimento de como funciona o trabalho em uma investigação tão grande e complexa", afirma o procurador ao GLOBO, por meio de sua assessoria de imprensa.

Dallagnol lembra que a reaproximação com a cúpula do Ministério Público Federal (MPF) deve ocorrer sem "minar" a independência dos procuradores no combate à corrupção.

"O caminho é o diálogo, o respeito e a cooperação. Desejo que possa existir uma aproximação em prol do interesse público e da sociedade", afirma.

O procurador também comentou sobre a renovação do grupo da força-tarefa e diz que cabe agora ao PGR decidir.

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"Sem uma equipe compatível ou a dedicação exclusiva de um bom número de procuradores é inviável o avanço de investigações que demandam imersão, assim como dar conta do muito que há por fazer. Por isso, três órgãos importantes da própria Procuradoria-Geral já recomendaram a prorrogação da força-tarefa: a Corregedoria, a Câmara de Combate à Corrupção e o Conselho Superior. Cabe ao PGR agora decidir", afirma.

Dallagnol demonstrou otimismo com a chegada do seu substituto, o procurador Alessandro Fernandes Oliveira, que será o novo coordenador da força-tarefa.

"É um profissional dedicado, experiente e independente", afirma o procurador.

Oliveira é conhecido por sua descrição - ele é avesso as redes sociais - e pelo estilo conciliador. O perfil difere de Dallagnol que não hesitava em usar sua conta pessoal no Twitter para criticar decisões de tribunais e até de seus superiores no MPF quando estes, segundo sua visão, iam de encontro a bandeira do combate à corrupção.

A postura nas redes sociais rendeu a Dallagnol uma série de representações no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), inclusive de pedidos de remoção.Em sua defesa, o procurador sempre disse que apenas exercia o seu direito de liberdade de expressão.

Dallagnol ainda voltou a dizer que se preocupa com decisões do Supremo e com leis que tramitam no congresso, que possam eventualmente minar o que chama de "avanços contra a corrupção".

Na avaliação dele o maior retrocesso foi a decisão da corte que acabou com a prisão após condenação em segunda instância e dificultou as delações, potencializadas pelo temor do cárcere.

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