homem de camisa amarela
Reprodução/Instagram
Gabriel Monteiro ganhou popularidade em canal no youtube

Envolvido com frequência em polêmicas nas redes sociais , o youtuber Gabriel Monteiro, de 26 anos, já acumula mais de um mês de detenção — fruto de punições administrativas — em menos de quatro anos na Polícia Militar do Rio. O soldado chegou a receber duas punições por fatos ocorridos no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), quando ainda era aluno da PM e estava longe de ser uma figura conhecida na internet.

A ficha disciplinar do policial, a que o EXTRA teve acesso, revela que Gabriel cometeu 16 transgressões disciplinares durante o período que integrou as fileiras da PM. Por 14 delas, o soldado recebeu, no total, penalidades que somam 33 dias de detenção. Em outros dois casos, foi punido com repreensão. Por causa das transgressões, ele é classificado como um PM com “mau comportamento”, a pior das cinco classificações previstas no estatuto da corporação.

A trajetória conturbada do youtuber, que afirma ser perseguido por denunciar a corrupção na PM, começou ainda no CFAP. Em sua primeira punição na carreira, em 30 de agosto de 2016, ele foi acusado de ter descumprido a ordem de um oficial e recebeu penalidades de dois dias de detenção. Ainda segundo sua ficha disciplinar, em outras duas ocasiões — em março de 2018 e em janeiro de 2019 —, quando já era soldado, o youtuber foi flagrado portando a arma da PM sem que estivesse de serviço e sem autorização para isso.

A ficha disciplinar de Gabriel revela ainda que ele foi penalizado oito vezes por ter faltado ao serviço. Na metade dos casos, tinha sido escalado para integrar cercos à Favela da Rocinha. Monteiro também deixou de comparecer ao serviço no réveillon de 2017. A PM afirma que, no total, Gabriel já faltou ao serviço 52 vezes ao longo de sua carreira, mas nem todos os casos geraram punição.

Ao EXTRA, Gabriel negou que tenha ficado detido administrativamente durante sua carreira, diferentemente do que consta em sua ficha disciplinar da PM. “Nunca cumpri detenção. Isso é mentira”, alega.

Questionado sobre as transgressões disciplinares que constam em sua ficha, ele diz desconhecer a maioria delas. Gabriel ainda nega, por exemplo, que tenha faltado ao serviço no réveillon e alega que possui uma postagem na rede social, naquele dia, comprovando que ele estava trabalhando. O soldado também afirma que todas as vezes nas quais saiu do batalhão com a arma da corporação, teve autorização para isso.

Procurada para comentar as alegações de Gabriel, a Polícia Militar informou que 33 detenções constam na ficha disciplinar do soldado e todas foram publicadas em boletim interno da corporação. A assessoria informou ainda que todas as punições aplicadas respeitaram a ampla defesa e o contraditório. “Caso se sinta injustiçado, o militar tem o direito de recorrer, apresentando fatos novos, e ainda de prestar uma queixa formal contra quem o puniu, e, em casos mais extremos, pode recorrer ao Judiciário.

No início do mês, Gabriel chegou a ser expulso da PM, acusado de deserção. Ele contesta que tenha deixado de se apresentar para o serviço e alega que estava de licença médica. Após a expulsão, o youtuber se reapresentou e foi reintegrado à corporação para responder pelo episódio, conforme previsão do regulamento interno da PM.

Na última sexta-feira, Gabriel anunciou que vai concorrer ao cargo de vereador no Rio, razão pela qual deixará de fazer parte da PM. Como tem menos de dez anos de corporação, ele se afasta da função, independentemente de ser eleito ou não. Sua saída ainda depende de publicação no boletim da polícia.

Em quase quatro anos na PM, Gabriel passou por cinco Unidades de Polícia Pacificadoras (UPP) e três batalhões. Foi na UPP do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, que o youtuber fez uma das prisões que mais gosta de exaltar. Em 2018, ele prendeu um dos gerentes do tráfico na favela. Pelo telefone, um comparsa ofereceu dinheiro para que o bandido fosse solto, mas Gabriel se negou a receber a quantia. Tudo foi filmado, e o vídeo teve milhões de visualizações.

“Foi uma das (ocorrências) mais reconhecidas. Teve muita visualização”, afirmou Gabriel ao jornal Extra. Atualmente lotado no 34º BPM (Magé), desde março ele está com porte de arma suspenso e em serviço administrativo. Ou seja, não pode ir para operações ou trabalhar no patrulhamento das ruas. Com as restrições, o soldado afirmou ao EXTRA que vinha usando suas folgas para fazer prisões. Ele relata como exemplo que no mês passado deteve em flagrante um homem que agredia uma mulher em Niterói, sua cidade de origem.

“Na verdade, já tinham me tirado da PM. Eu só tinha o RG , mas não era mais policial de fato. Estava prendendo pessoas na minha folga. Sei que serei expulso se continuar na PM”, disse Monteiro, ao comentar sua candidatura e a opção de deixar a polícia.

Gabriel tem mais de cinco milhões de seguidores em suas redes sociais. Durante os quase quatro anos na PM, ele também passou alguns meses no gabinete do deputado bolsonarista Filipe Poubel (PSL), seu ferrenho defensor nas redes sociais e também articulador de sua candidatura à Câmara municipal do Rio.

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