homem de terno e gravata
Acervo familiar / Reprodução
Caio tinha 24 anos

Caio de Jesus Barbosa, de 24 anos — morto por uma bala perdida durante um tiroteio entre traficantes e milicianos na Praça Seca, Zona Oeste do Rio, na noite desta segunda-feira  (27) — falou na véspera, durante o culto da igreja evangélica que frequentava, sobre luto e perda. Segundo Diego Barbosa, de 30 anos, irmão mais velho de Caio, a família está arrasada

“No fim de semana, na igreja, ele falou durante o culto sobre luto, perda. Não imaginávamos que, poucos dias depois, estaríamos chorando a perda dele”, conta Diego.

Caio era evangélico, cantava na igreja e estava no último período da faculdade de Direito. O rapaz estava animado com os preparativos para seu casamento. A cerimônia estava marcada para o próximo mês de setembro, mas a agenda do estudante de Direito já estava cheia de compromissos relacionados com a festa. Ontem, aconteceria a sessão de fotos para o álbum. Para sair bonito nos retratos, Caio foi ao barbeiro na noite de segunda-feira. Ao voltar para casa, por volta das 20h, um tiro em meio à guerra entre tráfico e milícia pelo controle da Praça Seca, na Zona Oeste do Rio, interrompeu os sonhos do jovem.

“O Caio estava ansioso com o casamento, mas estava feliz também. Queria ficar bonito no álbum. Por isso, foi num barbeiro amigo nosso. Cortou o cabelo, fez a barba. Na volta, deu carona pro barbeiro, deixou ele em casa e estava a caminho de casa, na Praça Seca. Mas já estava acontecendo um tiroteio. E um tiro acertou as costas dele”, diz Diego.

No momento em que o jovem voltava para casa — ele morava com os pais num condomínio num dos acessos no Morro da Barão — traficantes tentavam, pela segunda vez no mês, invadir a Praça Seca, que é dominada por uma milícia. O tiroteio começou por volta das 19h e policiais militares e civis chegaram à região pouco depois para fazer um cerco. Segundo a PM, os agentes fizeram disparos no local pouco antes de Caio ser atingido.

Após terminar o curso, o jovem queria prestar concurso: ele sonhava ser delegado. Segundo filho de quatro irmãos, Caio trabalhava como motorista de aplicativo durante a pandemia para ajudar a família. Seus pais e irmãos estavam em casa quando souberam que o rapaz foi baleado: quando chegaram ao local onde estava o carro, o jovem já havia sido levado para o hospital.

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