Seguidores de blogueiros e ativistas que tiveram contas suspensas em redes sociais se mobilizam para continuar acessando antigos perfis como se estivessem no exterior
Unsplash/Yucel Moran
Houve uma mobilização de seguidores desses bolsonaristas para orientar usuários da plataforma a mudar configurações de aplicativos como o do Twitter

Depois que bolsonaristas  tiveram contas no Twitter e no Facebook suspensas por uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, seguidores começaram a acessar esses perfis como se estivessem do exterior. Em paralelo, atingidos pela medida judicial, criaram novas contas ou reativaram antigos perfis para continuar ativos nas redes sociais.

Houve uma mobilização de seguidores desses bolsonaristas para orientar usuários da plataforma a mudar configurações de aplicativos como o do Twitter, para que passem a usar a rede como se estivessem fora do Brasil. O GLOBO apurou que essa brecha é possível porque, no entendimento do Twitter e do Facebook, a decisão de Alexandre de Moraes só se aplica ao Brasil. As contas continuam liberadas para usuários de fora do país.

Entre quinta e sexta-feira, o Twitter e o Facebook acataram a decisão de Moraes que determinou a suspensão nas duas plataformas de 28 contas ligadas a políticos, ativistas, blogueiros e empresários bolsonaristas que são alvo do inquérito sobre a existência de uma rede para a disseminação de notícias falsas e ataques a ministros do STF. Na decisão, Moraes disse que a suspensão era necessária para a “para a interrupção dos discursos com conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”.

Apesar disso, os bolsonaristas continuaram ativos. O blogueiro Allan dos Santos passou a usar uma conta classificada como “temporária”, mas que já tem mais de 96 mil seguidores. A extremista Sara Giromini criou um novo perfil no Twitter no qual já tem mais de 22 mil seguidores. O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) passou a usar a conta da sua filha, Cristiane Brasil. A decisão do ministro do STF não impede expressamente os investigados de criarem novas contas nas plataformas.

O professor do Departamento de Estudos de Mídia da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, David Nemer, avalia que, mesmo não impedindo esses bolsonaristas de se manifestarem nas redes sociais, a decisão de Alexandre de Moraes tem o potencial de diminuir o alcance deles:

— Os ataques não vão parar. A decisão não vai acabar com as fake news. Mas podemos dizer, com certeza, que vai haver uma desaceleração do alcance deles.

Nemer explica que toda vez que um usuário precisa adicionar uma etapa para obter acesso a uma informação na internet, aumentam as chances de ele desistir de fazê-lo.

— Mudar as configurações ou usar VPN (sistema que usa servidores de outros países para acessar a internet) exige conhecimento técnico que nem todo mundo tem. Hoje, eu estimo que a audiência deles é um terço do que antes da suspensão — afirmou Nemer.

Questionadas sobre as contas continuarem ativas para usuários acessando a rede como se estivessem em outros países, Facebook e Twitter ainda não se manifestaram.

Procurado, o Facebook emitiu uma nota na sexta-feira sobre a decisão de Alexandre de Moraes dizendo que “respeita o judiciário e cumpre ordens legais válidas”. O Twitter, por sua vez, divulgou uma nota na sexta-feira em que atribuía a suspensão das contas à decisão do ministro. "O Twitter agiu estritamente em cumprimento a uma ordem legal proveniente de inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF)", disse a nota.

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