pessoas fazendo teste para covid-19
Mauro Scrobogna/LaPresse/DiaEsportivo/Agência O Globo
Letalidade da Covid-19 é maior na periferia da capital de Pernambuco


Pesquisa do Departamento de Ciências Geográficas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) aponta que a  pandemia é mais letal em áreas periféricas do Recife. Todos o 184 municípios do estado de Pernambuco foram atingidos pela Covid-19 .


Segundo o estudo, bairros mais ricos da cidade registram maior número de casos do novo coronavírus do que os bairros pobres; no entanto, os bairros mais pobres são os que registram mais mortes.

A pesquisa investigou o comportamento do vírus em 95 bairros localizados em cinco regiões diferentes da capital. Enquanto um conjunto de 21 deles só possui 3% de casas consideradas de condições precárias, outro conjunto de 17 tem 86%.

Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por 100 mil habitantes é de 600 nos bairros com menos construções precárias e diminui para 400 em bairros pobres. Por exemplo, no bairro de Mustardinha, 20 pessoas das 44 infectadas pela Covid-19 faleceram, enquanto em Casa Forte 78 contraíram a doença, mas apenas 11 morreram.

“Isso mostrou que as pessoas nos bairros mais pobres não têm acesso ao diagnóstico. A saúde primária ficou negligenciada porque a energia ficou em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Portanto, os que já tinham comorbidades, que já não eram tão controladas, sofreram mais”, explicou o coordenador do estudo, Jan Bitoun, ao Diário de Pernambuco.

Todas as cidades têm Covid-19

No último dia 19, a cidade de Manari, localizada no Sertão de Pernambuco, registrou seus primeiros dois casos da Covid-19. O município era o único em todo estado que ainda não havia registrado incidência do novo coronavírus.

Além dos dois casos — que são uma criança de 5 anos e uma mulher de 35 anos —, a cidade tem 31 casos suspeitos.

Em coletiva de imprensa, o secretário estadual de Saúde de Pernambuco, André Longo, afirmou que já era previsto que a doença se espalhasse por todo território de Pernambuco e classifica o fato como “consequência da expansão”.

Segundo Longo, a interiorização da Covid-19, principalmente em regiões do Setor e do Agreste, é preocupante e está sendo acompanhada.

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