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Garoto de 14 anos, João Pedro Mattos Pinto, foi morto em casa durante operação policial.

A mãe de João Pedro, adolescente de 14 anos morto durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, emocionou-se ao relatar em entrevista ao “Fantástico” que, nas últimas semanas, sua maior preocupação com o filho era por causa da pandemiado novo coronavírus. A família estava tomando todos os cuidados para evitar a doença, já que o jovem tinha bronquite.

“A gente tinha todo esse cuidado com ele. A gente tão preocupado com a pandemia... Não imaginava que de uma hora para outra iam tirar a vida dele”, disse Rafaela Pinto, mãe do rapaz.

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Morador do Salgueiro, João Pedro foi morto no último dia 18, durante uma operação das polícias Civil e Federal na comunidade. Ele foi atingido por um tiro no peito dentro de casa. Os agentes que participaram da ação alegam que o adolescente foi baleado em meio a um tiroteio entre policiais e traficantes, que teriam entrado na residência da família da vítima. Os parentes, no entanto, negam essa versão.

De acordo com a reportagem do “Fantástico”, os sobreviventes — além de João, havia outros cinco adolescentes na casa — relatam que os policiais arrombaram o portão e entraram no quintal atirando e jogando granadas.

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“Não mataram bandido nenhum porque não tinha bandido. Forjaram isso. Mataram um inocente de 14 anos”, acusou o pai de João Pedro, Neilton Pinto.

O delegado titular da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, Allan Duarte, afirmou ao “Fantástico” que duas testemunhas confirmaram a presença de criminosos no local:

“Eu não posso dizer que houve um erro da polícia. Acredito que tenha sido uma tragédia. Porque não se sabe de onde partiu esse tiro”.

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A reportagem do “Fantástico” revelou ainda que João Pedro se preocupou quando percebeu que havia começado uma operação no Salgueiro e fez contato com parentes.

“Ô, João... Fica calmo, pelo amor de Deus. Não saia daí de dentro. Se a polícia chamar alguém ,vocês atendam de boa. Pelo amor de Deus”, disse a tia Denise Roza ao sobrinho ao receber uma mensagem dele.

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Denise mora na casa onde João foi morto. Ela relata que, quando chegou ao imóvel, o cenário era de destruição. No total, 72 tiros foram disparados dentro da residências e marcas estão espalhadas por paredes e todos os cômodos.

“Janela toda furada. Tiro na televisão, nas paredes, no quarto que meus filhos dormem... Cozinha toda bagunçada. Derrubaram guarda-roupa, quebraram guarda-roupa... Atrás tem um quartinho de ferramenta... Tudo furado de bala”, contou Denise ao “Fantástico”.

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A Defensoria Pública do Estado do Rio, que representa a família de João Pedro, quer que as investigações passem a ser conduzidas pelo Ministério Público estadual. O órgão considera que a DH de Niterói e São Gonçalo não terá a mesma imparcialidade para apurar o caso, uma vez que pertence à Polícia Civil, assim como a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), cujos agentes estavam na operação que terminou com a morte de João Pedro. Na última sexta-feira, três agentes da Core que participaram da ação foram afastados do serviço operacional provisoriamente. Eles ficarão em serviços administrativos.

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