Imagem aérea do desabamento no Rio de Janeiro
Reproduçao TV Globo
Seis casas desabaram após chuvas no Rio de Janeiro

Uma tragédia após o desabamento de seis casas no bairro Jardim América , na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi evitada por Elias de Souza Conceição. O serralheiro, de 33 anos, era um dos donos das residências atingidas na manhã desta terça-feira e avisou todos os vizinhos ao redor quando quando teve uma das paredes da moradia derrubada por causa das fortes chuvas, que atingiram o município desde o último sábado. Por volta de 3h, o jovem, que vivia sozinho, ouviu estalos e resolveu montar estacas para proteger seu patrimônio.

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Preocupado e com medo de uma tragédia, saiu por volta das 4h e foi até a residência do pai, que fica próxima da Rua Rodolfo Chambelland, local onde as casas desabaram. Mas antes bateu em cada porta e avisou do que estava por vir.

"Minha casa era a do térreo, e eu estava sozinho porque o meu amigo não estava na residência do segundo andar. Eu escutei o barulho, ouvi as paredes estalando e peguei minhas ferramentas para fazer estacas e proteger a parte da frente, arrumei a base de ferro da minha cama e tentei fazer de tudo para segurar. Fiquei com medo, foi um susto na hora. Ia ser uma tragédia anunciada ", diz, por telefone.

A rua e todas as casas ficam às margens do Rio Acari, que desde sábado está com um nível elevado por causa da chuva. Elias não conseguiu retirar nada de casa, porque foi comunicado por amigos e familiares, cerca de 7h, que sua residência havia caído. A preocupação era de que ele estava dentro da casa na hora do desabamento, que aconteceu por volta das 6h40. O corpo de bombeiros foi acionado às 6h52 para atender o chamado.

"Logo que me avisaram, ouvi as sirenes dos bombeiros e fui até a casa. Perdi tudo, documentos, roupas, equipamentos, dinheiro, eletrodomésticos... Mas só pensei em me salvar e nem levar nada. E também avisar meus vizinhos. Queria voltar lá e pegar meus equipamentos de trabalho, mas a defesa civil e os bombeiros não autorizaram, porque está perigoso", afirma.

Elias não se vê como herói. O serralheiro, que trabalha próximo da sua moradia, disse que apenas fez o seu papel de amigo e de vizinho. Agora, ele só pensa em recomeçar, trabalhar e ir atrás de tudo que perdeu.

"Não sou herói. Fiz o meu papel de vizinho, de um tomar conta do outro, de poder avisar e ajudar. Procuro sempre ajudar, eles são quase a nossa família, estão próximos todos os dias. Vejo como um ato de amor ao próximo", diz o serralheiro, antes de completar:

"Agora é tentar recomeçar. Quero recuperar minhas ferramentas de trabalho, tenho muita coisa ali na casa e tentar reconstruir . Estou vivo, bem e que bom que deu tempo de avisar meus vizinhos também. Agora é viver a vida e sei que todos vamos correr atrás e trabalhar para termos tudo novamente".

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Sete famílias afetadas

A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informou que, neste momento, a equipe técnica está no local, juntamente com a Secretaria de Saúde, para dar suporte às famílias afetadas . Ao todo sete famílias estão no ponto de apoio localizado na Paróquia Santa Rosa de Lima - Comunidade São João Evangelista.

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