Rio
Márcia Foletto / 16.09.2019/Agência O Globo
Há cerca de 1 mês e meio, morro do Adeus foi tomado por outra facção criminos

Em meio à guerra pelo domínio do Morro do Adeus, vizinho ao Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, traficantes que invadiram a comunidade estão submetendo os moradores da comunidade a um cadastro. Além de serem fotografados, eles são obrigados a passar informações sobre quantidade de membros da família, se têm carro ou internet. Assim, os bandidos esperam ter o controle total de quem vive na favela, que era comandada pela maior facção criminosa do Rio desde 2008.

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Há cerca de 1 mês e meio, a quadrilha rival invadiu o Adeus, que tem uma UPP, dando início à disputa pelo território. De acordo com a Polícia Civil, um traficante identificado apenas como Piu comandou a invasão. Nascido e criado na comunidade, sua família tem estreita ligação com parentes de Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, antigo chefe do Adeus, morto em 2002.

Piu teve o apoio dos chefes do tráfico da Vila dos Pinheiros, Thiago da Silva Folly, o TH da Maré, e do Morro da Serrinha, Wallace de Brito Trindade, o Lacosta. Para a invasão, além de orientações, o criminoso recebeu fuzis e pistolas. Piu tem quatro passagens na polícia por tráfico, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Ele já foi preso três vezes, mas não há nenhum mandado de prisão contra em seu nome, apesar de ter condenações e responder a processos.

Três invasores já foram presos pela PM

No início da semana passada, policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Adeus fizeram uma operação na comunidade. Três criminosos ligados à facção que passou a dominar a favela foram presos. Além disso, foram apreendidos dois fuzis e uma pistolas.

A disputa por território para a venda de drogas no Morro do Adeus é histórica. Em 1996, o traficante Uê e seu bando tomaram a comunidade da maior facção criminosa do Rio, da qual ele fazia parte. Ali estabeleceu a quadrilha que ajudou a fundar, dois anos antes, com Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, e José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha. O golpe aplicado teve início quando Uê tramou a morte de seu então comparsa, Orlando da Conceição, o Orlando Jogador, do Complexo do Alemão, em 1994.

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Em 11 de setembro de 2002, por determinação de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Uê foi morto e teve o seu corpo carbonizado durante uma rebelião no Presídio Bangu 1, no Complexo de Gericinó. Outros três criminosos também foram assassinados na ocasião. Em maio de 2015, Beira-Mar foi condenado a 120 anos de prisão pelos crimes.

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