Ana Flávia e Carina Ramos estão entre as suspeitas do assassinato da família
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Ana Flávia e Carina Ramos estão entre as suspeitas do assassinato da família

Os cinco suspeitos da morte de uma família encontrada carbonizada dentro de um carro em São Bernardo do Campo, no dia 28 de janeiro, serão indiciados por homicídio triplamente qualificadoao final do inquérito. A defesa de Ana Flávia Gonçalves e Carina Ramos, no entanto, ainda quer que a Polícia Civil realize dois passos essenciais antes do fim da investigação: uma acareação entre os suspeitos, que apresentaram versões conflitantes, e uma reconstituição simulada dos fatos.

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Os advogados das namoradas querem que elas fiquem frente a frente com o primo de Carina, Juliano, apontado como um dos comparsas das duas no planejamento do roubo no ABC . Desde sua prisão, o suspeito apontou Carina como mentora intelectual pelo assalto e da morte da família Gonçalves.

Após mudar de versão duas vezes, Carina e Anaflávia confessaram o roubo, mas não a morte dos pais de Anaflávia.

Confira, passo-a-passo, a diferença de versões de Juliano e de Anaflávia.

O planejamento

A versão das namoradas: Após Anaflávia comprar um cooktop (fogão sem forno embutido), Juliano teria demonstrado interesse na situação financeira da família Gonçalves. Ao descobrir que os quiosques de perfumes administrados por Flaviana, mãe de Anaflávia, tiveram um bom resultado comercial em janeiro, ele sugere um roubo, o que é recusado pelas namoradas. Em razão de dívidas ainda não-esclarecidas, elas aceitam a proposta dias depois.

A versão de Juliano: Carina e Anaflávia abordaram Juliano com a proposta de roubar R$ 85 mil que supunham estar na casa dos pais da segunda. O grupo se reuniu dois dias antes para definir os detalhes da ação.

As condições

A versão das namoradas: As duas aceitaram participar do assalto desde que não houvesse violência com o pai e o irmão de Anaflávia, considerados calmos.

A versão de Juliano: Segundo ele, não havia nenhuma condição.

O roubo

A versão das namoradas: Anaflávia entrou com os três suspeitos no condomínio da família em um Fiat Palio por volta das 18h do dia 27 de janeiro. Eles aguardaram a chegada do seu pai e de seu irmão, o que ocorreu por volta das 19h56, em um Opala. Neste intervalo, o carro de Anaflávia entrou e saiu do condomínio. Após a chegada do pai e do irmão, os cinco invadiram a casa com Carina e Anaflávia “rendidas”, em uma encenação de assalto.

A versão de Juliano: Não há diferenças nessa parte do depoimento.

O roubo dá errado

A versão das namoradas: Os três entraram no imóvel e começaram a cobrar o pai de Anaflávia, Romuyuki, para que ele abrisse o cofre onde estariam R$ 85 mil pretendidos no roubo. Ele disse não saber a senha do cofre, o que levou a uma discussão entre os dois. No andar de cima da casa, Juliano começou a agredir o pai de Anaflávia, que protestou. Juliano respondeu Anaflávia com violência e Carina interferiu, iniciando nova discussão entre os comparsas. Durante a discussão, os homens teriam falado seus nomes. Juliano decidiu, então, executar os pais e avisou que, caso elas não colaborem, também iriam morrer.

A versão de Juliano: Os três entraram no imóvel e começaram a cobrar o pai de Anaflávia, Romuyuki, para que ele abrisse o cofre onde estariam os R$ 85 mil. Ele disse não saber a senha do cofre, o que levou a ameaças. Romuyuki e Juan foram trancados no quarto. Juliano agrediu o pai de Anaflávia, que desfaleceu. Carina ordenou a morte de ambos e prometeu que os envolvidos ficariam com parte do dinheiro da herança e do seguro de vida.

As mortes

A versão das namoradas: Anaflavia e Carina disseram ter ficado com medo de também serem assassinadas por Juliano, responsável pela morte de Romuyuki e Juan. A mãe de Anaflavia, Flaviana, chegou ao imóvel e também foi morta por ele.

A versão de Juliano: Após a ordem de Carina, ele entrou na casa e asfixiou Romuyuki e Juan. A mãe de Anaflávia, Flaviana, chegou ao imóvel por volta das 22h, e abriu o cofre, que estava vazio. Após colocarem os dois corpos no carro, Carina vestiu o uniforme da mãe de Anaflávia, que foi levada para o Jeep Compass. Ela, Juliano, Guilherme e Anaflávia deixaram o condomínio por volta das 1h.

A fuga

A versão das namoradas: Obrigadas por Juliano, Carina e Anaflavia se dividiram. A primeira deixou o condomínio no Jeep Compass, e a segunda, no Fiat Palio. Juliano ameaçou constantemente Carina, que perdeu o carro de Anaflavia de vista. Assustada, freou bruscamente e bateu o seu tronco no volante, acionando a buzina. Ela deixou o carro e começou a ligar para a namorada, mas Juliano exigiu que ela retornasse ao automóvel. Enquanto isso, Anaflávia e Jonathan, irmão de Juliano, foram até à casa de Jonathan buscar outro carro, um Fiat Palio de cor preta. O grupo se encontrou na Estrada do Montanhão. Jonathan jogou gasolina e ateou fogo no carro. Parte do fogo também o atingiu, o que lhe deixou com queimaduras no braço. Anaflávia ficou em estado de choque e mal conseguiu comer.

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A versão de Juliano: Vestida com o uniforme da sogra para passar despercebida na portaria, Carina levou o grupo até a Estrada do Montanhão. Em outro carro, Jonathan e Anaflavia buscaram o outro carro. Os dois passaram em um posto de gasolina para comprar o galão que foi usado para queimar o carro. O grupo se encontrou na Estrada do Montanhão. Lá, Carina matou Flaviana. Jonathan jogou gasolina e ateou fogo no carro. Parte do fogo também o atingiu e ele ficou com queimaduras no braço. Carina e Anaflávia tomaram café da manhã fora de casa.

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