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pessoas na rua
Bruno Rocha/Fotoarena/Agência O Globo
Moradores farão homenagem aos mortos no último domingo (1º)

Reunidos na tarde da quinta-feira (6), na sede do Ministério Público de São Paulo, familiares de duas das nove vítimas do baile funk em Paraisópolis reforçaram o pedido para que o governo paulista cumpra a promessa de revisar e dar transparência ao protocolo de atuação da Polícia Militar de São Paulo, o chamado Protocolo Operacional Padrão (POP). Para eles, houve falhas na atuação da PM no baile funk que acontecia em Paraisópolis no dia 1º de dezembro do ano passado e que resultou em nove mortes.

Danylo Amilcar, irmão de Denys Henrique - uma das vítimas, acredita que os protocolos foram quebrados.

“Temos a certeza absoluta de que os protocolos da polícia no dia 1º [de dezembro] foram quebrados. Se aquele foi um protocolo da polícia, então estamos em um estado de barbárie. Queremos que esses protocolos venham a público e que haja um debate em que todos possam participar [para melhorá-lo]”.

Fernanda dos Santos Garcia, irmã de Denis Guilherme, outra vítima de Paraisópolis, também defendeu que o protocolo de atuação militar seja transparente.

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“[Defendo] não só que mudem os protocolos, como cumpram os protocolos. Não adianta ter um protocolo se ele não é seguido. E nós não conhecemos os protocolos. Não sabemos o que pode ou não pode. Seria bom que a gente conhecesse nossos direitos”.

Após a reunião, o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Dimitri Sales, disse aos jornalistas que a mudança no protocolo e a sua divulgação foram promessas de governo não cumpridas.

“A polícia tem diversos protocolos. Após o que aconteceu em Paraisópolis, o governador [João Doria] se comprometeu a revisar esses protocolos. O Condepe solicitou a participação do conselho na revisão desses protocolos, mas de fato não sabemos se eles estão sendo revisados e quem os está revisando. Esses protocolos, que organizam a atuação da Polícia Militar, são mantidos em sigilo”.

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Além de solicitar transparência na divulgação desses protocolos para a sociedade, o presidente do Condepe disse que é preciso também estabelecer critérios de atuação para situações em que os policiais descumpram o protocolo e estabelecer punições para os policiais que não o adotarem. Ele também reclamou que o governo não cumpriu a promessa de criar uma comissão externa para acompanhar as investigações. Outro pedido feito pelas famílias na reunião é para que as investigações sobre o caso sejam feitas de forma transparente.

O procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio, que mediou a reunião, não falou com a imprensa.

Participaram da reunião de hoje representantes do Condepe, Ministério Público de São Paulo, Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia, além de familiares e lideranças de Paraisópolis.

Procurados pela Agência Brasil , o governo de São Paulo e a Secretaria de Segurança Pública ainda não se manifestaram.

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