Após morte de Paulo Paulino Guajajara, suspeitou-se que ele tivesse sido vítima de uma emboscada
Sarah Shenker/Survival International
Após morte de Paulo Paulino Guajajara, suspeitou-se que ele tivesse sido vítima de uma emboscada

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou, nesta quinta-feira (9), nota de repúdio à conclusão do inquérito da Polícia Federal sobre a morte do indígena Paulo Paulino Guajajara e a tentativa de homicídio contra Laércio Sousa Silva , baleado no braço, no dia 1º de novembro do ano passado, no interior da Terra Indígena (TI) Arariboia, no interior do Maranhão.

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Segundo o conselho, ao descartar a versão do sobrevivente que disse que foi uma emboscada e reduzir o assassinato a um episódio de troca de tiros, a Polícia Federal "desconsidera uma história de mais de 40 anos de conflitos com madeireiros nesse território, ao longo dos quais os indígenas vêm sendo assassinados e tendo seu território destruído sem que nenhum assassino seja punido".

Conforme relato do sobrevivente, os indígenas foram vítimas de uma emboscada durante uma caça dentro de seu território, sem permitir tempo hábil de defesa. Segundo Laércio, quando pararam para tomar água, ouviram barulho no mato e logo em seguida os tiros. Laércio conseguiu se proteger atrás de uma árvore, enquanto Paulo foi atingido.

O conselho ressalta ainda que a Polícia Federal não levou em consideração uma sequência constante de acontecimentos contra os indígenas da região, como os assassinatos da liderança, Tomé Guajajara, na aldeia Lagoa Comprida, em 2007; e de Maria dos Anjos Guajajara, de sete anos de idade, assassinada em 2008, enquanto assistia televisão em sua casa, na aldeia Anajá, localizada no mesmo território. Segundo a entidade, em ambos os casos, os criminosos eram madeireiros.

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Nos últimos vinte anos, o Cimi registrou o assassinato de pelo menos 47 indígenas do povo Guajajara no Maranhão. Destes, 18 eram da TI Arariboia. A reportagem entrou em contato com a Polícia Federal, que ainda não se posicionou.

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