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Entre alvos estão empresários, lobistas, servidores e ex-servidores públicos, uma vereadora, ex-prefeitos, secretários e ex-secretários de governo

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Edilson Dantas / Agência O Globo
Operação mira irregularidades em 50 municípios do estado

A Polícia Federal realiza na manhã desta terça-feira a Operação Cadeia Alimentar II, para cumprir 57 mandados de busca e apreensão e 27 mandados de prisão temporária, expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto .

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A investigação apura irregularidades em licitações e desvio de verbas relacionados à compra de merenda escolar de cerca de 50 municípios de São Paulo .

A ação desta terça têm o objetivo de coletar elementos para complementar informações obtidas em delação premiada de dois investigados junto à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal . Ambos foram alvos da Operação Cadeia Alimentar, em maio de 2018.

Estão sendo recolhidos dispositivos e mídias eletrônicos com o registro de diálogos entre os investigados por mensagens de aplicativo e e-mails. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens dos envolvidos, em valor que chega a R$ 2 bilhões.

O esquema foi capitaneado por um frigorífico sediado na cidade de Brodowski, com o auxílio de outras firmas do mesmo grupo, segundo as investigações.

A partir do pagamento de propinas, que giravam em torno de 10% do valor dos contratos, os envolvidos direcionavam licitações para favorecer a empresa por meio de uma série de fraudes, como a simulação de concorrência, o ajuste prévio de preços e a inclusão de exigências técnicas nos editais que limitavam a participação de outros interessados.

Na sequência, o frigorífico fornecia produtos superfaturados ou, em alguns casos, não realizava as entregas, após ter recebido os pagamentos.

Participam da ação mais de 240 policiais federais, os quais cumprem ordens judiciais em 27 cidades do estado de São Paulo. Apenas na capital são 3 mandados de prisão e 8 de busca e apreensão.

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Entre os alvos da operação estão empresários, lobistas, servidores e ex-servidores públicos, uma vereadora, ex-prefeitos, secretários e ex-secretários de governo. Os mandados de buscas estão sendo cumpridos em residências, empresas, três prefeituras e uma Câmara dos Vereadores.

Os investigados responderão por crime de organização criminosa, fraude a licitações, falsidade ideológica, corrupção ativa, prevaricação e corrupção passiva. As penas, somadas, podem chegar a 28 anos de prisão.