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Ao falar sobre Ketellen, governador diz que Polícias Federal e Rodoviária Federal vêm sendo sucateadas e que há falta de ação contra o tráfico de drogas e armas, em nível federal, 'o que alimenta esta guerra insana'

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Luciano Belford / Agência O Dia
Governador usou as redes sociais para falar sobre o caso.

O governador Wilson Witzel usou uma de suas redes sociais no início da tarde desta quarta-feira para lamentar a morte da menina Ketellen, atingida por tiros em Realengo, quando ia para a escola na última terça-feira. Em sua fala, Witzel fez duras críticas ao governo federal de Jair Bolsonaro, com quem está em pé de guerra desde que declarou que seria candidato à presidência nas próximas eleições. Segundo ele, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal vêm sendo sucateadas e há necessidade "imediata" de mudança no conceito de Segurança Nacional e do uso das Forças Armadas nas fronteiras.

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"Lamento a morte da menina Ketellen , em Realengo, vítima de tiroteio entre bandidos. Determinei à Polícia Civil a apuração rigorosa desse crime e dos outros que atingiram seis crianças neste ano.

Impedir a entrada de drogas e armas no país é responsabilidade do Governo Federal. A falta de combatividade, em nível federal, do tráfico de drogas e armas, acaba alimentando essa guerra insana que existe nos estados.

É preciso que o Governo Federal tenha uma visão estratégica e não continue sucateando a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Isso sem falar da imediata necessidade de mudança do conceito de Segurança Nacional e do uso das Forças Armadas nas fronteiras", disse o governador do Rio.

Procurada pelo GLOBO, a assessoria da presidência ainda não respondeu à reportagem.

Atrito começou em setembro

Esta não foi a primeira vez que Witzel disparou contra o governo Bolsonaro esta semana. Na segunda-feira, durante discurso no Palácio Guanabara, o governador afirmou que brasileiros têm pela frente até as próximas eleições presidenciais "mais três anos assistindo a um show de horrores", e criticou os apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais, chamando-os de “bolsominions que fazem terrorismo na internet”.

O atrito entre os dois começou em setembro após Witzel ter anunciado a intenção de concorrer ao cargo de presidente nas próximas eleições. Após a declaração, Bolsonaro pediu para que deputados do PSL na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), maior bancada da Casa, deixassem a base do governo estadual . Desde então, o clima entre o governador do estado fluminense e o presidente tem esquentado, a ponto de não interagirem durante um evento oficial em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio — na ocasião, os dois se sentaram lado a lado, mas não trocaram palavras .

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Em outubro, Bolsonaro acusou Witzel de ter vazado informações sobre o inquérito da Polícia Civil sobre o caso Marielle, onde o nome do presidente é citado por um porteiro do Condomínio Vivendas da Barra. O profissional afirma que Élcio de Queiroz, suspeito de dirigir o carro utilizado para matar a vereadora, pediu para que o "Seu Jair" liberasse sua entrada no condomínio, onde encontraria Ronnie Lessa, suspeito de atirar contra a parlamentar. Witzel respondeu, dizendo que o presidente "não está, talvez, em seu estado normal".