Muzema
Gabriel de Paiva / Agência O Globo
PRédios serão demolidos pela Prefeitura do Rio na comunidade

Quase seis meses depois da queda de dois prédios que provocou a morte de 24 pessoas no Condomínio Figueiras do Itanhangá, na Muzema, a prefeitura decidiu levar adiante o projeto de demolir seis edifícios no mesmo ponto da comunidade.

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As construções, que também teriam sido erguidas pela milícia e sem qualquer autorização do poder público, estariam em risco. A Secretaria municipal de Infraestrutura e Habitação afirma que a medida será tomada para preservar a vida dos moradores da Muzema , já que os imóveis ficam numa área de encosta sem obras de contenção.

"A prefeitura está descumprindo um acordo que fez com a gente. Eles tomam essas decisões sem nos consultar e avisam sobre a desocupação poucas horas antes", reclamou Mayra, representante dos moradores.

Em julho, a Secretaria municipal de Infraestrutura e Habitação decidiu suspender a demolição dos seis prédios após prometer aos moradores que faria um nova avaliação técnica sobre as construções. Na época, já havia um laudo da GEO-Rio atestando que o solo do condomínio é instável, e os donos dos imóveis tinham sido notificados sobre a demolição. Outra promessa foi que, em caso de derrubada, a prefeitura publicaria um decreto autorizando o pagamento de auxílio-habitacional, por até um ano, com valor a ser estudado.

A prefeitura já pôs abaixo dois prédios vizinhos aos que desabaram em abril durante um temporal. Os moradores chegaram a obter uma liminar contra as outras demolições, mas medida acabou caindo em segunda instância. A prefeitura informou que não há hoje qualquer impedimento jurídico à derrubada dos prédios, que ainda não tem data para acontecer. Acrescentou que existe um projeto em negociação com o governo federal para a construção de unidades do programa Minha Casa Minha Vida. O conjunto ficaria numa área próxima à Muzema e poderia ser destinado às famílias que vão perder seus apartamentos.

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No mês passado, José Bezerra de Lira, conhecido como Zé do Rolo, foi preso em Afogados da Ingazeira, no Sertão de Pernambuco, sob a suspeita de ser o chefe do grupo de miliciano responsável por vender os apartamentos na Muzema . Ele disse que tinha escapado para o Nordeste porque estava sendo ameaçado pela milícia. Renato Ribeiro, acusado pela polícia de ser o corretor que vendeu as unidades, já tinha sido preso em julho em Friburgo. O primeiro a ser capturado foi Rafael da Costa, localizado em maio no Leblon. Os três vão responder pelo crime de homicídio qualificado por 24 vezes e ainda são investigados por lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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