Família em velório
Gilson de Souza / Agência O Dia
Corpo de Ágatha, de apenas oito anos, foi enterrado no Rio de Janeiro

O velório e enterro da menina Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, morta após ser atingida com um tiro de fuzil nas costas dentro de uma Kombi na Fazendinha, no Complexo do Alemão , foi marcado por revolta e tristeza na tarde do domingo (22). Gritos de “Witzel, assassino”, “polícia assassina” e “queremos paz” foram puxados por parentes e amigos presentes no local.

"Perdi um neto, Paulo Henrique, há dois anos, um menino lindo que tinha só 13 anos. Ele foi alvejado por policiais em uma operação. Me pergunto até quando inocentes vão morrer. Os moradores da comunidade são tratados como bandidos, os policiais não têm nenhum respeito por nós. Aconteceu com meu neto, outros morreram depois, agora a Ágatha . Quando isso vai mudar?", questionou Marinete Martins, 63, moradora da localidade Alvorada.

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O pai e a mãe de Ágatha seguiram o cortejo em silêncio. A mãe segurava uma boneca da turma da Mônica que era da menina. O tio, contou que ela estava ensinado inglês a ele. "Eu, com 28 anos, e ela estava me ensinando inglês. Peço que orem para que esta violência acabe e nenhuma família seja destruída como a minha está", disse Cristian Sales.

Emocionado, o avô de Ágatha, Ailton Félix, pediu justiça para a neta. "Alguém tem que acabar com isso. Uma criança não merece passar por isso. Um pai, um avô, uma mãe, não merecem passar por isso. Mataram uma inocente, uma garota inteligente, estudiosa, obediente, de futuro. Cadê os policiais que fizeram isso? A voz deles é a arma. A da minha neta era o lápis e um caderno. Ela fazia balé, fazia inglês, era uma filha exemplar. Até quando o governo vai acabar com as famílias? Até quando isso vai acontecer?", questionou, diante do caixão".

Ágatha era filha única. Sonhava em ser bailarina. Era estudiosa e não gostava de tirar notas baixas.

Perícia e balística

A família aguardou ao longo de todo o sábado a liberação do corpo da menina do Instituto Médico Legal, pois passaria por um scanner corporal – um equipamento semelhante ao utilizado em aeroportos, que permite ver através da pele e dos órgãos –, e não tinha funcionário no plantão que soubesse mexer no aparelho.

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"O uso do scanner foi fundamental para verificar a imagem do fragmento do projétil, que foi retirado para balística", informou o IML ao final da noite, quando o exame foi realizado e o corpo liberado.

Em nota, a Polícia Civil informou que as armas dos PMs serão enviadas para perícia, bem como o projétil extraído do corpo da vítima, para confronto balístico. Além disso, disse que novas testemunhas serão ouvidas a partir de segunda-feira - os familiares da criança já prestaram depoimento no sábado.

No decorrer da semana, a Polícia Civil também irá definir uma data para reprodução simulada.

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