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Gerentes e engenheiros foram indiciados por falsidade ideológica e uso de documentos falsos; apenas um diretor da empresa alemã foi incluído

Bombeiros buscando vítimas em Brumadinho arrow-options
Diogo Antunes/Photopress/Agência O Globo
Bombeiros continuam buscando por vítimas da tragédia em Brumadinho

A Polícia Federal (PF) concluiu o relatório parcial de investigação sobre a tragédia de Brumadinho e indiciou, nesta quinta-feira, 13 funcionários, sendo 7 da Vale e 6 da consultora TÜV SUD pelos crimes de falsidade ideológica e uso de documentos falsos. Por se tratar de crime ambiental, as duas empresas também estão entre os indiciados. Nenhum executivo da mineradora está na lista, apenas um diretor da empresa alemã.

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O jornal O Globo apurou que os sete funcionários indiciados da Vale ocupam cargos de gerência e eram responsáveis por estudos de geologia e de engenharia civil da barragem de Brumadinho . Já na TÜV SUD, apenas um integrante da cúpula da empresa alemã, o diretor de negócios e desenvolvimento Chris-Peter Meier, que está na Alemanha, e outros cinco engenheiros e consultores, estão entre os indiciados.

A PF não descarta a possibilidade de que, nos próximos dias,  executivos da Vale e da TÜV SUD sejam indiciados pelos crimes de homicídio e danos ambientais sobre o desastre causado pelo rompimento da  barragem  de rejeito de minério B1 (Córrego do Feijão), que deixou 249 mortos, 21 desaparecidos e devastou a fauna e a flora local, no último dia 25 de janeiro.

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No documento enviado pela PF ao Ministério Público Federal (MPF) não constam ainda conclusões sobre os crimes de homicídio e danos ambientais. Novos indiciamentos após a conclusão de perícias criminais devem ser apresentados nos próximos 90 dias.

A imputação pelo crime de falsidade ideológica foi baseada no fato de a mineradora e a consultora terem manipulado a Declaração de Condição de Estabilidade (DCE), sem analisar os critérios técnicos e inserindo informações e documentos falsos nas auditorias.

Na semana passada, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) apresentou o relatório final da CPI de  Brumadinho e pediu o indiciamento da cúpula da Vale por homicídio doloso eventual , que é quando se assume o risco de que o crime ocorra.

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Entre os indiciados estão o presidente Fábio Schvartsman e o diretor-executivo da Vale, Peter Poppinga , ambos afastados, e a responsável técnica pela barragem, Cristina Malheiros. O relatório pediu ainda indenização para os familiares de todas as vítimas.