Uma nova série de mensagens entre procuradores da Força Tarefa da Lava-Jato vazadas pelo site The Intercept sugere que o procurador Deltan Dallagnol teria utilizado grupos políticos iniciados após a Operação Lava Jato para fazer articulações políticas no Supremo Tribunal Federal e entre a sociedade.
Segundo as conversas, uma das principais conexões entre Dallagnol e grupos como Vem Pra Rua e Mude foi a procuradora Thaméa Danelon, do braço da Lava Jato em São Paulo.
Uma das primeiras articulações de Deltan com o grupo envolvia o posto de relator dos processos da Lava Jato, vago após a morte de Teori Zavascki, vítima de um acidente aéreo. Primeiro, Deltan teria conversado Fábio Alex, lider do grupo Mude - Chega de corrupção sobre os quatro nomes que não seriam positivos para a Lava Jato no cargo: Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Lemos e Marco Aurélio.
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Depois, Patricia Fehrmann, também fundadora do Mude, consultou o procurador sobre qual o nome ideal para a vaga de Zavascki. “tem muita gente perguntando o q fazer. O VPR [Vem Pra Rua] é um desses”, teria afirmado em mensagem. O procurador disse que a Força Tarefa não se posicionaria para não “queimar” a pessoa.
Conversas com a procuradora da república Ana Carolina Resende também mostram articulações envolvendo o cargo de Teori. Resende pedira que Deltan conversasse com o jurista Luís Roberto Barroso para que ele fosse para a 2ª turma do STF . “Ele pode pedir p ir p 2 turma e ninguém pode impedi-lo. Vão achar ruim mas paciência, ele teria feito a parte dele”, teria dito a procuradora.
Diante da possibilidade da prisão de Lula e da informação de que o STJ estudava permitir cumprimento de pena apenas em condenação na terceira instância, Dallagnol conversou com a procuradora Thaméa para "deixar mais caro” para Alexandre de Moraes, que tinha assumido a vaga de Teori, mudar de posição, já que ele era o único que nunca tinha votado sobre o assunto.
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Thámea se prontificou a passar para movimentos informações de que Moraes aprovava a execução de pena após julgamento de segundo grau. Entre os grupos aos quais ela sugeriu enviar as informações estava o Vem Pra Rua e o Nas Ruas, que tem como uma das fundadoras Carla Zambelli, hoje deputada federal pelo Partido Social Liberal (PSL).
Deltan, então, encaminhou a demanda de buscar materiais sobre Alexandre de Moraes em um chat com assessor de comunicação do MPF, e, como resposta, recebeu um vídeo “cortei o vídeo ‘grosseiramente’ para deixar só a fala sobre execução provisória. não acrescentei legenda, nada, e reduzi a resolução para viralizar mais fácil… rsrs”.
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Em outro momento, Deltan também tentou articular para que o primeiro colocado da lista tríplice sugerida pela Associação Nacional dos Procuradores da República para substituir Rodrigo Janot, Nicolao Dino, fosse escolhido por “pressão popular”. “Não conta pra ng, mas vou pedir pros movimentos sociais fazerem campanha pra ser nomeado o primeiro da lista”, disse Dallagnol em chat privado com Dino. “Sem mencionar minha sugestão, Vcs conseguiriam articular uma campanha para ser nomeado o primeiro da lista? Ele é o top”, disse em um grupo de conversa com o Mude.
As mensagens mostraram, também, outra conversa com a procuradora Danelon pedindo para que uma pressão popular em forma de abaixo assinado fosse realizado a favor de prisão em segunda instância. “Se Vc topar, vou te pedir pra ser laranja em outra coisa que estou articulando kkkk” A articulação em forma de abaixo assinado foi divulgada pelo procurador em sua página do Facebook.