Tamanho do texto

O Ministério Público Federal (MPF) no Amapá também investiga as circunstâncias da morte e a invasão

Índios da tribo Waiãpi arrow-options
Iphan/Heitor Reali
Índios da tribo Waiãpi

A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar a morte do cacique Emyra Waiãpi após a invasão de garimpeiros à terra Waiãpi, próxima à cidade de Pedra Branca do Amapari, no Amapá. O Ministério Público Federal (MPF) no Amapá  também investiga as circunstâncias da morte e da invasão .

LEIA MAIS: Dois suspeitos de participar do roubo de ouro em Guarulhos são presos

Os relatos sobre ataques aos indígenas Waiãpi começaram a ser divulgados na tarde de sábado. De acordo com um memorando da coordenação regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), a invasão à região começou a ocorrer na terça-feira, 23, quando foi confirmada a morte do cacique. Inicialmente, uma equipe da Funai atribuiu a morte do líder indígena a um afogamento causado por ingestão de uma bebida tradicional, durante uma cerimônia. Neste sábado, o órgão descartou essa possibilidade e confirmou que a causa da morte de Emyra foi a invasão de garimpeiros.

Equipes da PF e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram acionadas para à região . Até a manhã deste domingo, a informação mais atualizada era a de que os garimpeiros ainda estavam acampados na região. Não há informações precisas sobre quantas pessoas estão no local. De acordo com o memorando da Funai, seriam de dez a 15 pessoas. No sábado, lideranças indígenas chegaram a falar em 50 pessoas.

LEIA MAIS: Bolsonaro deve visitar terra Waiãpi nesta segunda-feira

Os invasores, segundo o documento, estariam na aldeia Yvytotõ, a cerca de 40 minutos a pé da aldeia Mariry, onde estão concentrados os indígenas. A terra dos Waiãpi fica a aproximadamente 300 quilômetros de Macapá, capital do Amapá.

Em nota divulgada neste domingo, a Funai diz que servidores do órgão encontram-se no local e acompanham o trabalho da polícia.

"Por se tratar de um local de difícil acesso, a Funai alertou os órgãos de segurança da área para se certificar da veracidade das informações", diz em nota.

Entidades pedem apuração do caso

A OAB pede que as medidas administrativas e judiciais sejam tomadas pelo governo para "assegurar a integridade física dos integrantes do Povo Indígena Waiãpi" e que sejam apuradas a morte do cacique Emyra Waiãpi e a invasão dos garimpeiros.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp) manifestaram solidariedade ao povo indígena Waiãpi e afirmam que os conflitos em terras indígenas têm se acirrado por conta de posicionamentos do governo federal.

"Externamos nosso profundo e veemente repúdio contrários a esse tipo de ação e que vem se acirrando, principalmente fomentado pelos posicionamentos intransigentes, irresponsáveis, autoritários, preconceituosos, arrogantes e desrespeitosos do atual governo, especialmente do senhor presidente da República Jair Bolsonaro, com os ataque que vem fazendo aosdireitos dos povos originários deste país, sobretudo aos direitos territoriais já garantidos em terras indígenas completamente demarcadas regularizadas á luz da Constituição Federal de 1988 e que esse governo vem a todo e momento tentando retroceder", dizem em nota.

LEIA MAIS: Duas turistas morrem em acidente com catamarã em Maragogi (AL)

O presidente Jair Bolsonaro deve visitar nesta segunda-feira a terra indígena Waiãpi , segundo a prefeita de Pedra Branca do Amapari , Beth Pelaes (MDB), cidade onde estão instaladas as aldeias atacadas. De acordo com a prefeita, o ministro da Justiça, Sergio Moro, confirmou a visita do presidente à região. Procurado, o Palácio do Planalto ainda não confirmou a visita.