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Fim da multa para quem transporta crianças sem cadeirinha tem a maior rejeição, 68% dos entrevistados; 67% rechaçam fim de radares em rodovias

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Arquivo Agência Brasil
Pesquisa mostrou que muitas das mudanças são repudiadas pela população

Uma pesquisa Datafolha mostra que a maioria da população brasileira se opõe aos planos do governo de Jair Bolsonaro para flexibilizar regras de trânsito. De acordo com o levantamento, aproposta de acabar com a multapara o transporte de crianças de até 7 anos em veículos sem cadeirinha é a mais impopular — 68% dos entrevistados a rejeitam.

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Entregue pessoalmente por Bolsonaro na Câmara dos Deputados, no começo de junho, o projeto de lei prevê, entre outras alterações nas leis de trânsito , a imposição de advertência por escrito para o transporte sem cadeirinha. A oposição ao fim da multa para esta infração chega a 70% no estrato dos entrevistados habilitados a dirigir.

A maioria dos portadores de Carteira Nacional de Habilitação ( CNH ) ainda são contra o projeto de retirar radares de rodovias federais — medida de Bolsonaro contra o que ele chamou de "indústria da multa". Entre os entrevistados, 21% afirmaram ter sido multados nos últimos 12 meses. O fim dos equipamentos de fiscalização de velocidade nas estradas é rejeitado por 67% da população, aponta a pesquisa.

Segundo o Datafolha, 41% dos entrevistados disse acreditar que o projeto do governo vai tornar o trânsito mais violento. Enquanto isso, 36% confiam que a situação ficará igual e 20% apostam em um tráfego mais seguro com as novas medidas.

Outra proposta polêmica do pacote de Bolsonaro para o trânsito, a duplicação do limite de pontos para suspender a CNH de motoristas tem reprovação de 56%. Neste quesito, os cidadãos habilitados a dirigir se dividem: 50% discordam e 48% concordam com o projeto de aumentar o limite de 20 para 40 pontos. Entre os eleitores do presidente, 52% apoiaram esta medida e 45%, não.

Nem os eleitores bolsonaristas, no entanto,  apoiam a ideia do governo de acabar com a multa para o transporte de crianças sem cadeirinha . A proposta é reprovada por 63% deles. Também discordam, em sua maioria, da retirada dos radares (58%). Já os votantes do adversário de Bolsonaro no segundo turno da eleição, Fernando Haddad (PT-SP), foram majoritariamente contrários a todas as medidas questionadas — nesta faixa, a retirada de radares de rodovias chega a ter 79% de rejeição.

Entre os entrevistados que consideram o governo "ótimo ou bom", 29% apostaram que as propostas de Bolsonaro tornarão o trânsito mais seguro. Outros 24% disseram crer que o trânsito ficará mais violento e 44%, que não haverá mudança.

O pessimismo quanto à aplicação das novas regras é maior entre os entrevistados de maior escolaridade e renda. Na faixa dos que ganham mais de cinco salários mínimos, 49% preveem situação pior após a eventual aprovação do projeto de lei, e 55% dos ouvidos com maior grau de estudo afirmaram o mesmo.

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Os católicos se disseram mais preocupados com a alteração das regras de trânsito que os evangélicos — 43% deles, contra 33% dos outros, apostaram em um trânsito mais violento com os planos do governo. De acordo com o Datafolha, 20% dos católicos e 23% dos evangélicos acreditam em maior segurança com a aplicação do pacote de Bolsonaro.

Realizado nos dias 4 e 5 de julho, o levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 2.006 pessoas maiores de 18 anos em 130 cidades do país.