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Caso veio à tona após a morte do chefe do tráfico da comunidade Pereirão, na zona sul do Rio de Janeiro, na tarde do último domingo

5° BPM do Rio de Janeiro
Reprodução/Google Maps
Esquema de extorsão estaria sendo comandado por um tenente do 5º BPM, localizado na Praça da Harmonia

As polícias Civil e Militar investigam um esquema de extorsão de traficantes, que estaria sendo comandado por um tenente do 5º BPM (Praça da Harmonia). O esquema do oficial e de outros policiais militares veio à tona na tarde deste domingo, após dois PMs matar o chefe do tráfico da comunidade Pereirão, em Laranjeiras, na zona sul do Rio, Leonardo Andrade da Silva, o Léo Bracinho, de 28 anos.

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Por causa do incidente, os cabos Leonardo José Camacho, lotado na UPP Andaraí, e Daniel da Silva de Lima, do 7º BPM (São Gonçalo), foram presos em flagrante. O confronto aconteceu pouco depois das 16h quando eles abordaram o traficante em Santa Teresa, no centro do Rio , de olho em uma grande quantidade de dinheiro que ele carregava.

Informações obtidas pelo Dia revelam que os dois cabos , que estavam de folga, se esconderam em um condomínio que fica na Avenida Almirante Alexandrino, próximo ao Hospital Quarto Centenário, para abordar o traficante . Eles obrigaram o porteiro do condomínio a avisá-los de quando Léo Bracinho passasse por eles.

Traficante levava dinheiro

Investigadores contam que rotineiramente o traficante levava dinheiro do Pereirão para o Morro do Fallet. Os PMs estavam cientes de que o criminoso passaria pelo local e por isso armaram uma emboscada. Eles acreditavam que Léo Bracinho estaria sozinho.

No entanto, quando abordaram o traficante, ele estava acompanhado de dois seguranças e houve a troca de tiros. O criminoso morreu e o cabo Camacho foi baleado, sendo socorrido no Hospital Souza Aguiar, no Centro. Ele foi transferido para o Hospital Central da PM, no Estácio.

O Dia soube que um taxista foi abordado por outro policial militar que passava pela região, para socorrer o agente ferido. Esse PM seria o tenente apontado como chefe do esquema, que estaria em uma viatura dando cobertura aos agentes.

O taxista e o porteiro do condomínio tentaram registrar o caso na 9ª DP (Catete), mas o oficial da PM afirmou que o caso não poderia ser registrado na unidade e que deveria ser levado para a delegacia de Santa Teresa. No meio do caminho, o PM teria liberado os dois e ainda deu R$ 40 para o taxista lavar o carro.

No entanto, a tentativa foi frustrada, pois a Delegacia de Homicídios foi acionada. O táxi já passou por perícia.

Versão dos PMs

Na versão que deram para a Polícia Militar , os cabos alegaram que foram atacados pelos três criminosos. A ocorrência mostra que os PMs tiveram a prisão em flagrante decretada baseada "em provas testemunhais" por que a "versão apresentada pelos policiais não condiz".

O tenente apontado como o líder do esquema prestou depoimento na Delegacia de Homicídios (DH) na madrugada desta segunda-feira. Ele é aguardado nesta tarde na Corregedoria da PM e será indiciado por fraude processual. O advogado dos policiais esteve na DH nesta manhã e não falou com a imprensa, alegando que o caso está sob sigilo.

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A Corregedoria quer entender o que os dois PMs de folga estavam fazendo na região e como o oficial chegou tão rápido ao local se não estivesse por perto. O dinheiro que estaria com o traficante sumiu.

"Vamos investigar as circunstâncias do que aconteceu e a possível participação de outros policiais na ação", garantiu o porta-voz da PM, o coronel Mauro Fliess.