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Maximilian foi morto por grupo guerrilheiros que lutava contra a ditadura; em site, Exército afirma que major foi "brutalmente assassinado no Brasil"

Eduard Ernest Thilo Otto Maximilian von Westernhagen
Reprodução/Twitter
Homenageado foi o major alemão Eduard Ernest Thilo Otto Maximilian von Westernhagen, que lutou junto a nazistas

O Exército Brasileiro prestou homenagem, por meio das suas redes sociais e também em seu site, nesta segunda-feira (1º), ao major alemão Eduard Ernest Thilo Otto Maximilian von Westernhagen. O militar integrava o exército nazista durante a Segunda Guerra Mundial e foi morto no Brasil. 

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"Prestamos hoje homenagem ao oficial de nação amiga, Major do Exército Alemão Otto Maximilian, aluno da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército que, em 1º de julho de 1968, foi assassinado no Brasil", diz a publicação no Twitter do Exército Brasileiro. A homenagem rendeu uma série de comentários na web, que questionam o ato em apoio a um homem que lutou ao lado de nazistas

Maximilian veio ao Brasil em 1966 para participar do curso citado pela publicação. Dois anos depois, em 1968, ele foi morto pelo Comando de Libertação Nacional (Colina), um grupo de guerrilheiros que lutava contra a ditadura militar. 

"Ao final das instruções do dia 1º de julho de 1968, o Major Otto von Westernhagen trocou de uniforme e seguiu sua rotina diária. No caminho de casa, dois assassinos anônimos tiraram a vida do militar com dez tiros à queima-roupa", diz o texto sobre o assunto do site do Exército Brasileiro . "O crime teve grande repercussão em todos os jornais do Brasil da época", completa.

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Ainda no texto em sua homenagem, o Exército destaca que o major é um "sobrevivente da Segunda Guerra Mundial e das prisões totalitárias soviéticas, cuja vida foi encurtada por um ato terrorista insano e covarde". 

Na época em que o major foi morto no Brasil, houve mesmo repercussão na imprensa nacional. Ao noticiar o assassinato, na edição de 2 de julho de 1968, a Folha de  S.Paulo disse que a "vítima fora condecorada por Hitler quando da ocupação da França e recebera graves ferimentos quando do ataque do Exército soviético a Berlim". 

Na nota divulgada ontem, o Exército Brasileiro amplia a homenagem. "Ao mesmo tempo, o Exército Brasileiro também homenageia todos os oficiais de nações amigas que abdicam do conforto de suas terras natais para vir ao Brasil", continua o texto.

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Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil chegou a lutou contra os nazistas , combatendo militares do exército comandado por Adolf Hitler. Devido a isso, o posicionamento de prestar homenagem ao oficial, tomado pelo governo Bolsonaro, acaba ganhando tom polêmico.