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Ministro da Justiça esclareceu em almoço com membros da bancada ruralista que o suposto envolvimento do procurador Deltan Dallagnol é uma tática de "contrainformação" por parte de "grupo criminoso"

Deltan Dallagnol
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 24.6.2016
Deltan Dallagnol, procurador envolvido nas investigações da Lava Jato, teve suas conversas com o ex-juiz, Sergio Moro, vazadas depois de ataque de hackers


O ministro da Justiça, Sergio Moro , disse que os rumores sobre a participação de um procurador no vazamento de conversas dele com o também procurador Deltan Dallagnol pelo Telegram são, possivelmente, parte de uma tática para confundir a opinião pública. Moro falou sobre o assunto durante um almoço de quase duas horas com parlamentares da bancada ruralista. Na semana passada, surgiram boatos de que um procurador descontente com colegas da Lava-Jato vazou conversas de Dallagnol. 

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"Isso (envolvimento de um procurador) é contrainteligência. A Polícia Federal está investigando a invasão de aplicativos (do celular de Dallagnol e outras autoridades da Lava-Jato) por um grupo criminoso" disse Moro , segundo relato dos parlamentares ruralistas presentes na reunião. 

O ex-juiz da Lava Jato deverá prestar depoimento sobre o assunto amanhã na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do Senado. Trechos de conversas divulgadas pelo site The Intercept indicam que Moro mandou Dallagnol incluir uma testemunha num dos processo do "triplex" contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva .  

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Moro teria orientado o procurador Carlos dos Santos Lima , da Lava-Jato de Curitiba, a emitir nota para apontar contradições num dos depoimentos do ex-presidente. Outros trechos mostram que Moro sugeriu a troca de uma procuradora que, segundo ele, não saberia fazer perguntas. O ex-juiz até cobrou mais operações da Polícia Federal. Na conversa com os parlamentares, Moro disse que nada fez de errado. 

"Ele disse que não está preocupado porque tudo ocorreu dentro da normalidade. Disse que conversas entre juízes, procuradores e advogados são  parte do cotidiano ", contou o deputado Sérgio Souza (MDB/PR).

Moro teria dito ainda que não se recorda do conteúdo das conversas que teve com Dallagnol. Os diálogos teriam ocorrido há quase dois anos. O ex-juiz argumentou que não se lembra nem mesmo das mensagens trocadas há 30 dias. O ministro foi chamado para falar com os ruralistas sobre segurança nas fronteiras, roubo de cargas, desvios de defensivos agrícolas e disputas por terra entre fazendeiros e índios.

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