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Portaria estabelece que os detentos não poderão ser transportados até o fórum até quarta-feira; justiça alegou momento de "instabilidade"

Fachada do Complexo Penitenciário Anísio Jobim
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O Complexo Penitenciário Anísio Jobim foi onde teve início a briga da facção, resultando na morte de 15 presos

Após a morte de detentos em quatro penitenciárias do estado nos últimos dois dias, o Tribunal de Justiça do Amazonas suspendeu até quarta-feira todas as audiências que envolvem réus presos. Com isso, não haverá transporte de detentos até os fóruns num momento de "instabilidade" no sistema prisional, segundo portaria publicada nesta terça-feira (28). 

Com a determinação, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Yedo Simões de Oliveira atende a um pedido do gabinete de crise criado no estado para lidar com o massacre nas penitenciárias do estado, que deixou 55 presos mortos.

As mortes começaram no domingo, quando 15 detentos foram asfixiados por rivais ou perfurados com escovas de dente afiadas dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim ( Compaj ), em Manaus, na presença de familiares que os estavam visitando.

Na segunda-feira,  foram registrados mais 40 assassinatos em outras três unidades prisionais: Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) e Centro de Detenção Provisório de Manaus (CPDM1). Desta vez, as vítimas foram estranguladas por lençóis.

O setor de inteligência do Ministério Público atribui as mortes a  um racha entre integrantes da Família do Norte , maior facção criminosa do Amazonas, criada em 2007. No centro da briga, estão os fundadores José Roberto Fernandes, o “José Compensa”, e João Pinto Carioca, o “João Branco” — os 15 mortos no domingo seriam ligados ao grupo comandado por João Branco.

Como resposta à crise, o ministro da Justiça, Sergio Moro, anunciou que  enviará tropas da Força-tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) para reforçar a estrutura de segurança do Compaj e conter os presos .