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Em um dos casos, o pai precisou desenterrar o bebê para fazer uma autopsia; OAB do Maranhão afirma que todas as mortes devem ser investigadas; veja

morte de bebês
Reprodução/TV Mirante
A morte de 15 bebês desde o começo do ano no Hospital Municipal de Barra do Corda, no Maranhão, preocupa autoridades

O Hospital Municipal de Barra do Corda, no Maranhão, está sendo investigado pela morte de 15 bebês desde o começo do ano. A confirmação das mortes foi feita pela própria Secretaria Municipal de Saúde. O órgão ainda diz que 12 deles eram prematuros e já chegaram mortos à maternidade. As informações são da TV Mirante.

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As mães ouvidas pela reportagem relatam que houve descaso médico no momento do parto dos bebês . Iara da Silva diz que deu à luz em uma enfermaria e que todo o processo foi feito por um enfermeiro, que não chegou a encostar nela. “Quando ele entrava, ele dizia…’basta fazer força’. Quando o bebê nasceu, já não chorou. Estava respirando fraquinho”, diz.

Outra mulher que passou pela situação é Cidinara Oliveira. Ela diz que fez todo o pré-natal corretamente e que o bebê estava saudável. Quando chegou ao hospital para fazer o parto, ela conta que o médico a mandou de volta para casa e alegava falta de material para o procedimento. Cidinara continuou lá por cinco horas e, quando foi fazer a cesariana, já era tarde. Ela pede por justiça.

Kelly Medeiros também não foi acompanhada por médicos. O bebê ficou preso no canal vaginal e, quando o médico chegou, não adiantou mais. O bebê estava sem reação e não respirava. Depois da morte, ele ainda ficou por seis horas no mesmo quarto da mãe. Foi colocado em um caixão.

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O pai, Francisco Costa, diz que o hospital não deu destinação ao corpo e exigiu que o feto fosse retirado de lá por risco de infecção aos outros pacientes. O enterro aconteceu à noite. No dia seguinte, ele procurou pela polícia e foi orientado a desenterrar o corpo para que uma autópsia pudesse ser feita. Não se chegou a nenhuma conclusão.  

Investigações sobre as mortes dos bebês

Por enquanto, o Ministério Público abriu inquérito para investigar apenas dois casos. De acordo com o promotor Guaracy Figueiredo, ainda não se pode afirmar de maneira conclusiva, mas há evidências de que as mortes poderiam ter sido evitadas se o atendimento tivesse sido mais rápido.

Segundo a Secretaria de Saúde de Barra do Corda , o hospital está apurando três mortes dos bebês em que, segundo eles, há indícios de negligências. Ainda defende que não há culpa nos outros casos. A secretária Eloísa Mota diz que os casos dos prematuras são de pais indígenas que não passaram por acompanhamento adequado.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB-MA) está acompanhando toda a história e afirma que todas as mortes precisam ser investigadas. O Ministério Público Federal deve ser acionado para dar uma atenção no caso dos bebês indígenas.

"Nós vamos buscar, junto ao Departamento de Saúde Pública Indígena da FUNAI, e requisitar que o MPF faça uma apuração, caso se confirme os casos dessas crianças indígenas", diz. Rafael Silva, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA.

Nesta semana, em uma sessão tumultuada na Câmara Municipal de Barra do Corda, um grupo de vereadores de Barra do Corda pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as mortes. Nada foi decidido até o momento.

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"Tem sido muito grave o que tem acontecido em Barra de Corda. Vem desde outubro que as crianças vem morrendo por falta de atendimento. A gente vem falando, cobrando e ninguém faz nada", diz o vereador Francisco Eteldo (PV).