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CUT, Força Sindical e outras dez centrais se unem em São Paulo; rejeição à reforma da Previdência e o aumento do desemprego marcam o protesto

Centrais sindicais se organizaram para realizar um único ato unificado no Dia do Trabalho, celebrado nesta quarta-feira (1), em São Paulo. Pela primeira vez, a Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) se reuniram para fazer uma festa, que vai acontecer no Vale do Anhangabaú, região Central da capital, com início às 10h10.

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Festa do Dia do Trabalho realizada no Vale do Anhangabaú%2C em São Paulo
Reprodução/Twitter @CUTSAOPAULO
Festa do Dia do Trabalho realizada no Vale do Anhangabaú, em São Paulo

De acordo com o jornal Folha de São Paulo , são esperadas 200 mil pessoas ao longo do dia para participar do evento. Nos últimos anos, as centrais sindicais costumavam realizar suas atividades dedicadas ao Dia do Trabalho em locais diferentes, mas com um orçamento enxuto desde o fim da contribuição sindical obrigatória, dez organizações fizeram um rateio no valor de R$ 700 mil e farão a festa juntas.

Dessa vez, o lema da comemoração é “Em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores e das Trabalhadoras - Contra o Fim da Aposentadoria por mais Empregos e Salários Decentes”, para simbolizar a rejeição ao projeto de reforma da Previdência do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o aumento do desemprego.

“A principal razão para que o evento seja realizado em unidade é a luta contra a reforma da Previdência proposta por Bolsonaro que, se aprovada, irá impedir os brasileiros de acessarem o direito à aposentadoria ao estabelecer regras difíceis de serem atingidas”, informou a Força em comunicado.

"Bolsonaro foi o fator que uniu as centrais nesse ato. Estamos unidos contra a perda dos direitos dos trabalhadores na hora da aposentadoria e queremos a volta do crescimento da economia para que os brasileiros tenham empregos decente", disse Wagner Freitas, presidente nacional da CUT.

Centrais sindicais%2C Dia do trabalho
Reprodução/Twitter
Centrais sindicais se unem no Dia do trabalho, em São Paulo

Neste momento, lideranças sindicais fazem discursos contra a reforma. Um abaixo assinado contra o projeto é passado entre os presentes com o objetivo de conseguir um milhão de assinaturas.

As centrais prometem se mobilizar contra a votação do projeto na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, prevista para junho.

O deputado federal Paulinho da Força, da Força Sindical, disse que a unificação do ato é resultado do atual cenário político vivido pelo país e "também das dificuldades vividas pelas centrais". "É um ato histórico, que vai nos dar força", afirmou.

Além da Força e da CUT , também fazem parte do evento a CGTB, CSB, CSP-Conlutas, CTB, Intersindical, Metalúrgicos do ABC, Nova Central e UGT. As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo também colaboraram. Também estão presentes representantes de partidos de esquerda com PT, PSOL e PSTU.

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O ato contará com shows de artistas como Ludmilla, Leci Brandão, Simone e Simaria e Felipe Araújo. Segundo os organizadores, também deverá ser convocada uma paralisação geral para o dia 14 de junho.

União das centrais sindicais

Líderes das centrais sindicais no Dia do Trabalho
Reprodução/Twitter
Líderes das centrais sindicais CUT e Força Sindical, pela primeira vez juntos no Dia do trabalho

As centrais também se uniram num ato único por questões financeiras. O fim da contribuição sindical obrigatória com a reforma trabalhista e a Medida Provisória (MP) 873, que dificulta a cobrança da contribuição dos trabalhadores sindicalizados, reduziram as fontes de recursos das centrais.

A MP 873 proíbe o desconto em folha dos trabalhadores sindicalizados e obriga o pagamento via boleto. Com os cofres vazios, as centrais não farão sorteios de brindes.

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) também aderiu ao ato único, mas tem uma posição diferente das demais centrais sobre a reforma da Previdência. A entidade é favorável à reforma, mas não a que está tramitando no Congresso.

O presidente da UGT, Ricardo Patah, afirmou que a central defende uma reforma transparente, com gestão eficiente e equidade entre todos os trabalhadores. "Não queremos aposentadorias de R$ 40 mil enquanto outros vão ganhar o salário mínimo. Queremos uma reforma que traga equidade", disse.

Patah afirmou que as decisões do governo, como a MP 873, visam sufocar o movimento sindical brasileiro. Para ele, obrigar os sindicatos a fazer cobranças via boleto, impedindo o desconto no contracheque, é uma forma de "fechar as portas" das entidades. Além disso, o desemprego gritante e a alta informalidade do trabalho impedem a inclusão social de uma multidão de brasileiros, segundo ele.