Tamanho do texto

Cerca de 300 protestaram no centro de São Paulo, por promessa de moradia; sete morreram e dois foram dados como desaparecidos após incêndio

ato
Agência O Globo
Ato em memória das vítimas do incêndio e desabamento no Largo do Paissandu, no centro de SP

Cerca de 300 pessoas participaram de um ato que lembrou o incêndio e o desabamento de um prédio no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, ocorrido há um ano. Sete pessoas morreram e duas foram dadas como desaparecidas depois que o chamado "prédio de vidro" pegou fogo na madrugada do dia 1º de maio. As dezenas de famílias que moravam na ocupação continuam sem moradia.

Leia também: Triplica entrada de venezuelanos na fronteira com Brasil após novos conflitos

O ato em Paissandu começou por volta de 9h desta quarta-feira, ao lado dos escombros do edifício Wilton Paes de Almeida. As famílias lamentaram que, um ano após a tragédia, continuam sem previsão de receber uma casa por parte do poder público. Elas também reclamaram uma indenização no valor de R$ 100 mil.

A igreja luterana vizinha ao prédio, e que foi parcialmente atingida com o desabamento, realizou uma missa em memória das vítimas. A cerimônia, realizada em um salão nos fundos da igreja, reuniu cerca de 150 pessoas. A igreja passa por uma restauração depois que uma das paredes laterais foi interditada com a queda do prédio ao lado. Os andaimes ficam junto ao terreno, hoje apenas com escombros, e cercado por um muro com cartazes e dizeres que lembram o ocorrido.

Após o ato desta quarta, as vítimas da queda do prédio seguiram em caminhada para o Anhangabaú, onde está prevista uma manifestação de centrais sindicais por ocasião do Dia do Trabalho.

Famílias se dispersaram pela cidade

O edifício Wilton Paes de Almeida tinha 24 andares e pertencia à União, mas estava cedido para a prefeitura. A ideia era que fosse colocado à venda mas, com a demora em dar um novo destino à construção, ela acabou ocupada por famílias sem moradia.

Leia também: Caminhão com 5 toneladas de maconha é apreendido em Santa Catarina

Três coordenadores da ocupação foram responsabilizados criminalmente por suspeita de não tomarem as medidas de segurança necessárias para evitar riscos de incêndio . Não havia extintores de incêndio, e eram conhecidos os casos de “gatos” de energia nos corredores do edifício. O fogo na madrugada do último 1º de maio começou no quinto andar do edifício.

Segundo a prefeitura, 291 famílias comprovaram vínculo com a ocupação . Elas recebem um auxílio-aluguel de R$ 400 “até o atendimento habitacional definitivo”, segundo a Secretaria Municipal de Habitação. O valor é insuficiente para alugar uma casa no Centro de São Paulo.

Muitas famílias que moravam no edifício ocuparam outros prédios abandonados ou cortiços na região. Outras foram morar na casa de parentes, ou na periferia da cidade.

Leia também: Com orçamento baixo, centrais sindicais fazem único ato no Dia do Trabalho

O déficit habitacional em São Paulo é estimado em 368 mil moradias, segundo o Plano Municipal de Habitação. Outros 830 mil domicílios estão em assentamentos precários.