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Maior operação de resgate da história de MG encontrou 212 vítimas e já envolveu mais de 500 profissionais; indenização ainda não foi definida

Equipes de resgate de Minas Gerais e outros estados atuaram em Brumadinho
Ricardo Stuckert / Fotos Públicas
Equipes de resgate de Minas Gerais e outros estados atuaram em Brumadinho

O rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão em Brumadinho (MG) completa dois meses nesta segunda-feira (25). Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, 93 pessoas ainda estão desaparecidas. Também de acordo com a Defesa Civil, 212 corpos já foram encontrados e identificados.

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Além de mortos e feridos, o rompimento da barragem atingiu milhares de pessoas, que ficaram sem trabalho, sem casa ou perderam familiares. As buscas na região de Brumadinho já configuram a maior operação de resgate do estado e não há previsão para o fim dos trabalhos.

Em fevereiro, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, coronel Edgard Estevo da Silva informou que a previsão era de que as buscas durariam por mais 50 dias, mas elas não devem terminar enquanto todas as vítimas não forem encontradas. Mais de 500 bombeiros já participaram da operação, que envolveu profissionais mineiros, de diversos outros estados e até mesmo de Israel.

Os sobreviventes e familiares de vítimas ainda não fecharam um acordo definitivo de indenização com a Vale . No entanto, representantes dos atingidos, Vale e Justiça assinaram um acordo preliminar no dia 7 de março, que começou a ser cumprido no dia 16 do mesmo mês.

Segundo este acordo, a Vale se compromete a pagar um salário mínimo por adulto, meio salário por adolescente e um quarto de salário por criança durante um ano. Além disso, os moradores de Brumadinho e os que vivem nas margens do Rio Paraopeba até a represa Retiro de Baixo, em Pompéu, recebem um auxílio emergencial.

Como consequência da tragédia de dois meses atrás, foram instaladas três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) , uma na Câmara dos Deputados, uma no Senado Federal e um na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Nesse meio tempo, treze pessoas começaram a ser investigadas por responsabilidade pelo desastre. São onze funcionários da Vale e dois consultores da empresa alemã TUV Sud, que atestou a segurança da barragem. Todos eles já foram presos duas vezes e respondem o processo em liberdade .

O rompimento da barragem trouxe também sérios impactos ambientais. O Rio Paraopeba está  contaminado e impróprio para uso em atividades humanas, animais ou agrícolas por 240 km. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, os rejeitos da Vale já contaminaram a bacia do Rio São Francisco, um dos mais importantes do Brasil.

A barragem localizada próxima a Brumadinho , a 57 quilômetros de Belo Horizonte, rompeu-se por volta das 12h20 de sexta-feira, 25 de janeiro. Como em Mariana, em 2015, um mar de lama cobriu a área administrativa da Vale, o povoado, estradas e o rio. Como era hora do almoço, muitos funcionários estavam no restaurante que foi atingido pelos rejeitos.