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Nefi Cordeiro afirmou que todo preso tem direito à dignidade e à saúde e decidiu atender ao pedido da defesa do médium, acusado de abuso sexual

Defesa entrou com pedido de habeas corpus para João de Deus e agora médium deve passar por tratamento médico
César Itiberê/Fotos Públicas
Defesa entrou com pedido de habeas corpus para João de Deus e agora médium deve passar por tratamento médico

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro determinou nesta quinta-feira (21) que o médium João de Deus deixe a prisão e seja encaminhado para internação no Instituto de Neurologia de Goiânia. De acordo com a decisão, o médium deverá ficar internado durante o período de quatro semanas, sob escolta policial, ou monitoramento por tornozeleira eletrônica. 

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João de Deus foi preso no dia 16 de dezembro do ano passado sob a acusação de violação sexual mediante fraude e de estupro de vulnerável, crimes que teriam sido praticados contra centenas de mulheres na instituição em que atendia pessoas em busca de tratamento espiritual, em Abadiânia, Goiás.

O ministro atendeu a um pedido da defesa do médium, que tem problemas de pressão arterial e um "aneurisma da aorta abdominal com dissecção e alto risco de ruptura", segundo os advogados.  

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Na decisão, Nefi Cordeiro entendeu que todo preso tem direito à dignidade e à saúde. "Deverá o paciente, como decorrência, ser tratado pelo tempo mínimo indicado como necessário, em princípio de quatro semanas, salvo adiantada melhoria em seu estado de saúde que lhe permita o retorno ao normal tratamento na unidade prisional.”

O líder espiritual é réu em duas ações penais decorrentes de denúncias feitas pelo Ministério Público de  Goiás  envolvendo casos de abuso sexual a frequentadoras do centro espírita Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO). Ele nega as acusações.

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Já foram identificadas 255 possíveis vítimas do médium, das quais 75 já foram ouvidas formalmente 75 em Goiás e em outros estados até o momento. Segundo o Ministério Público, 23 supostas vítimas relataram ter entre 9 e 14 anos de idade na ocasião em que teriam sido abusadas sexualmente por  João de Deus