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Segundo novo inquérito encaminhado à Justiça, segurança de supermercado assumiu risco de matar, já que vítima não apresentava perigo durante ação

Segurança do supermercado imobilizou o jovem porque ele teria tentado retirar a arma do vigilante
Reprodução/redes sociais
Segurança do supermercado imobilizou o jovem porque ele teria tentado retirar a arma do vigilante

Um novo inquérito que está sendo encaminhado à Justiça afirma que o segurança Davi Ricardo Moreira Amâncio, que deu uma “gravata” em um rapaz dentro de supermercado na Barra da Tijuca, no dia 15 de fevereiro, assumiu o risco de matar e deve responder por homicídio com dolo eventual.

Em novas imagens das câmeras de segurança do supermercado, Pedro Henrique Gonzaga, de 25 anos, e a mãe aparecem entrando no estabelecimento e indo em direção ao segurança para pedir ajuda, segundo a mãe da vítima. Logo em seguida, o jovem cai duas vezes no chão antes de ser imobilizado pelo funcionário.

De acordo com a polícia, os vídeos mostram que, no momento em que o segurança começa dar um 'mata-leão' em Gonzaga, o vigilante Edmilson Pereira pega a arma de Amâncio, que justificou o enforcamento sob o argumento de que a vítima queria roubar a sua arma.

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Assim, a investigação concluiu que, como a arma não estava mais em seu poder quando Amâncio começou a imobilização, a vítima já não oferecia perigo que pudesse justificar a agressão. Amâncio ainda teria sido alertado 11 vezes pelas pessoas que estavam no local de que o jovem estava roxo e desmaiado.

Amâncio pode receber pena de até 30 anos de prisão. Já o outro segurança que presenciou o estrangulamento, também responde por homicídio, já que não agiu a fim de impedir que Gonzaga fosse morto e ainda amarrou os pés da vítima no final da ação.

O vídeo ainda mostra que somente a mãe e um funcionário prestaram primeiros socorros à vítima após a imobilização e, segundo o inquérito, Gonzaga já estava morto quando saiu do supermercado Extra.

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Na época, o Grupo Pão de Açúcar, responsável pela rede de hipermercados Extra, emitiu um posicionamento sobre o ocorrido, declarando que a "companhia se solidariza com os familiares e envolvidos". Confira abaixo:

"Com relação ao lamentável episódio ocorrido na tarde da última quinta-feira (14 de fevereiro) no Hipermercado Extra Barra, a rede vem a público reiterar que não aceita qualquer ato de violência.  Um grave fato ocorreu na loja do Extra e a rede não vai se eximir das responsabilidades diante do ocorrido, sendo a maior interessada em esclarecer a situação o mais rapidamente possível. Desta forma, está colaborando com as autoridades e contribuindo com todas as informações disponíveis.

 Os envolvidos no caso foram definitivamente afastados. A companhia instaurou uma sindicância interna para acompanhamento junto à empresa de segurança e aos órgãos competentes do andamento das investigações.  O Extra continuará contribuindo com a apuração e assegura que tomará todas as medidas cabíveis tendo em vista o resultado da investigação.

 Acrescentamos que, independentemente do resultado da apuração dos fatos, nada justifica a perda de uma vida e a companhia se solidariza com os familiares e envolvidos."

O vigilante já havia sido condenado a três meses de prisão em regime aberto por ter agredido uma ex-companheira com vários socos no rosto na frente dos seus filhos e não poderia estar trabalhando como segurança .

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