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Pedro Henrique Gonzaga foi morto por um "golpe de gravata" de um vigilante do estabelecimento; o autor do crime foi solto após pagar fiança

Segurança do supermercado imobilizou o jovem porque ele teria tentado retirar a arma do vigilante; a mãe da vítima nega
Reprodução/redes sociais
Segurança do supermercado imobilizou o jovem porque ele teria tentado retirar a arma do vigilante; a mãe da vítima nega

A mãe de Pedro Henrique Gonzaga, morto por "golpe de gravata" de um segurança do supermercado Extra na última quinta-feira (14), no Rio de Janeiro, prestou depoimento na tarde dessa terça-feira (19) e disse à polícia que o segurança assassinou seu filho. As informações são do jornal Folha de S.Paulo

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Segundo o advogado da família, Marcello Ramalho, Dinalva dos Santos de Oliveira prestou depoimento por duas horas e negou que Pedro tenha feito qualquer ameaça ao segurança. "A mãe viu o filho dela em momento de surto [psicótico]. Ele correu, o segurança foi atrás, aplicou o golpe nele, derrubou o garoto no chão. E ele ficou", disse à Folha

O segurança do Extra na Barra da Tijuca, Davi Ricardo Moreira, foi preso em flagrante pela  morte do jovem de 25 anos na última quinta. O vigilante explica que imobilizou Pedro, deitando-se sobre ele, em legítima defesa, pois ele teria tentado pegar sua arma. Mesmo após perceber que Pedro estava desacordado, o segurança continuou sufocando-o.

De acordo com Ramalho, a mãe iria levá-lo para fazer uma consulta médica após passar no supermercado. "Ele estava desarmado, sem oferecer perigo para o agente que justificasse aquela ação, e mesmo assim ele prosseguiu. Não atendeu aos apelos", afirmou. 

O advogado ainda afirma que Pedro não tentou pegar a arma do segurança em nenhum momento. "Isso não existiu em momento algum. No momento da ação, a vítima estava desarmada. Nada justificaria ele prosseguir naquela ação que ceifou a vida do Pedro Henrique", defendeu.

André Barreto, o advogado do segurança, conta uma versão diferente. De acordo com o vigilante, a vítima teria simulado um ataque epilético e o desarmado. "O rapaz simulou um ataque epiléptico, o Davi se aproximou para prestar os primeiros socorros e teve a arma retirada do corpo", disse.

"Ele chegou a apontar a arma para os presentes no mercado e, neste momento, um segundo segurança conseguiu intervir. Neste momento, o Davi e o jovem entraram em luta corporal e o segurança cai por cima dele, o deixando imobilizado até a chegada de reforços", completou Barreto. 

Segundo o delegado do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), Antônio Ricardo, outros quatro seguranças do supermercado prestarão depoimento hoje. Já o autor do homicídio será ouvido amanhã a tarde. Ele havia sido preso, mas foi solto após pagar fiança. 

"O delegado do plantão ainda não tinha elementos suficientes para ter uma decisão mais concreta. Optou por fazer um flagrante de homicídio culposo arbitrando fiança. Depois de registrado o fato, surgiram novas imagens na mídia que estão sendo analisadas minuciosamente. Se houve intenção de matar, ele poderá responder por homicídio doloso", afirmou. 

Ainda de acordo com o delegado, uma outra testemunha-chave já foi ouvida na segunda-feira. Essa, por sua vez, contou que alertou diversas vezes ao segurança que o rapaz já estava desacordado e, mesmo assim, ele continuou o imobilizando.

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Outros dois vigilantes do supermercado viram a cena e não intervieram. Após os depoimentos da mãe e das testemunhas, caso o indiciamento de Moreira seja alterado, eles também poderão ser indiciados por omissão de socorro ou responder por homicídio doloso.

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