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Material apreendido está sendo encaminhado para a Delegacia de Homicídios da Capital, que investiga o caso da morte da vereadora em 2018

Dois ex-policiais militares presos pela morte de Marielle Franco foram detidos nesta terça-feira
Reprodução/Polícia Civil do Rio
Dois ex-policiais militares presos pela morte de Marielle Franco foram detidos nesta terça-feira

Policiais civis cumprem nesta quarta-feira (13) 16 novos mandados de busca e apreensão relativos à investigação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, há um ano no centro do Rio. A ação envolve ainda o Ministério Público do estado. Dentre os novos alvos, estão três policiais militares e o bombeiro Maxwell Simões Correa, suspeito de participação no crime.

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O material apreendido está sendo encaminhado para a Delegacia de Homicídios da Capital, que investiga o caso, e onde estão presos, desde a manhã de ontem (12), dois suspeitos dos homicídios de Marielle e Anderson: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz. Eles devem ser transferidos ainda hoje para unidades prisionais.

O ex-sargento Ronnie Lessa foi preso na madrugada de ontem, quando se preparava para sair de casa em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, mesma situação do ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, que mora no bairro Engenho de Dentro, na zona norte. Em conversa informal com integrantes da força-tarefa, ele contou que havia sido avisado sobre a operação.

A promotora Simone Sibílio disse que, até o momento, as investigações mostram que o crime pode ter sido motivado pela repulsa de Ronnie às causas que eram defendidas por Marielle, o que também é conhecido como crime de ódio. 

Além dos dois suspeitos de matar Marielle e Anderson Gomes , um homem identificado como Alexandre Motta foi preso em flagrante na Operação Lume, deflagrada nesta terça-feira (12). Foram encontradas em sua casa caixas com grande quantidade de armamento, incluindo peças para montar 117 fuzis do tipo M-16.

O advogado Leonardo da Luz, responsável pela defesa de Alexandre, disse que este não sabia o que havia dentro das caixas, que teriam sido mantidas lacradas. "Ele é amigo do [Ronnie] Lessa há anos e apenas lhe fez o favor de armazenar essa encomenda em seu apartamento. Ele não sabia do que se tratava. E foi uma surpresa para ele ver o que se encontrava dentro das caixas. Ele não tem nada a ver com esse episódio lamentável envolvendo a vereadora [Marielle Franco]."

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O policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, que foi expulso da corporação, foram presos preventivamente na Operação Lume. Eles foram apontados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) como participantes do assassinato de Marielle e Anderson. Lessa foi acusado de ser autor dos disparos e Élcio, de conduzir o veículo de onde partiram os tiros que atingiram a vereadora e o motorista.

A operação em que Lessa e Élcio foram presos ocorreu dois dias antes da morte de Marielle completar um ano. Além dos dois mandados de prisão, foram cumpridas 32 ordens de busca e apreensão, uma das quais no imóvel de Alexandre, na zona norte do Rio. "Ele me abraçou e chorou. Está impressionado e não sabe o que está fazendo aqui. De repente, ele está se vendo no meio dessa turbulência", disse o advogado.