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Funcionários da mineradora e engenheiros estavam soltos após decisão do STJ; desembargadores alegaram que houve elevada gravidade no delito

Engenheiros responsáveis por barragens de Brumadinho e mais 11 pessoas devem voltar para cadeia após a decisão
Isac Nóbrega/PR
Engenheiros responsáveis por barragens de Brumadinho e mais 11 pessoas devem voltar para cadeia após a decisão

A Justiça de Minas Gerais decidiu nesta quarta-feira (13) que os 13 envolvidos no desastre da Vale ocorrido em 25 de janeiro em Brumadinho, Minas Gerais, que haviam sido presos e liberados sejam presos novamente. A decisão foi da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Os desembargadores, por unanimidade, indeferiram os pedidos para revogação da prisão temporária. O primeiro grupo a ser preso , com três funcionários da Vale e dois da TUV Sud – empresa que atestou a segurança da barragem em Brumadinho – foi preso dia 29 de janeiro e liberado no dia 05 de fevereiro.

Já o segundo grupo, de oito funcionários da Vale , foi preso em 15 de fevereiro e solto no dia 27 do mesmo mês. Todas as solturas ocorreram por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

No julgamento, as defesas argumentaram que os investigados estão colaborando com a investigação e que estão à disposição da Justiça. Os advogados afirmaram ainda que não há fundamentação para as prisões, que elas são desnecessárias e ilegais.

Já os desembargadores, por sua vez, argumentaram que houve elevada gravidade no delito, que as prisões são necessárias para o andamento do inquérito, a busca de esclarecimentos, a reunião de provas e visam assegurar resultados práticos para trabalho da força-tarefa.

Saiba quem são os 13 envolvidos:

  1. Alexandre de Paula Campanha - Gerente-executivo da geotecnia corporativa da Vale
  2. André Yum Yassuda - engenheiro da TUV SUD
  3. Artur Bastos Ribeiro - Gerência de geotecnia
  4. Cristina Heloiza da Silva Malheiros - Gerência de geotecnia
  5. Felipe Figueiredo Rocha - Setor de gestão de riscos geotécnicos
  6. Cesar Augusto Paulino Grandchamp - geólogo da Vale
  7. Makoto Namba - engenheiro da TUV SUD
  8. Hélio Márcio Lopes de Cerqueira - Setor de gestão de riscos geotécnicos
  9. Joaquim Pedro de Toledo - Gerente-executivo da geotecnia operacional da Vale
  10. Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo - Setor de gestão de riscos geométricos
  11. Renzo Albieri Guimarães Carvalho - Gerência de geotecnia
  12. Ricardo de Oliveira - gerente de Meio Ambiente Corredor Sudeste da Vale
  13. Rodrigo Artur Gomes Melo - gerente executivo do Complexo Paraopeba da Vale

Buscas em Brumadinho

Mais de um mês depois, as buscas por vítimas da tragédia da Vale em Brumadinho continuam incessantes
Divulgação/Corpo de Bombeiros de MG
Mais de um mês depois, as buscas por vítimas da tragédia da Vale em Brumadinho continuam incessantes

Na segunda-feira, a  Defesa Civil atualizou para 200 o número de mortos da tragédia da Vale . Todos os corpos encontrados já foram identificados. Ainda de acordo com a Defesa Civil de Minas Gerais, 108 pessoas atingidas pelo rompimento da barragem estão desaparecidas.

Mais de um mês depois, as buscas por vítimas da tragédia do rompimento da barragem da Vale continuam incessantes. O Corpo de Bombeiros mineiro estima que os trabalhos de buscas devem se estender por mais dois ou três meses. Afirma também que a procura não vai cessar enquanto todos os corpos não tiverem sido encontrados.

O dia 25 de janeiro foi marcado pelo rompimento da barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, que pertence à Vale e está localizada em Brumadinho , cidade da Grande Belo Horizonte. Parte do município foi invadido pela lama e pelos rejeitos de minério, deixando centenas de mortos e feridos. Muitas das vítimas são funcionários ou terceirizados da própria Vale, que tinha um complexo administrativo no local.