Tamanho do texto

Quatro executivos da mineradora recorreram ao STJ em busca de imunidade; gerente disse, em depoimento, que diretoria sabia de riscos em Brumadinho

Luciano Siani Pires e Lúcio Cavalli estão entre executivos da Vale que pediram habeas corpus preventivo
Reprodução/Vale
Luciano Siani Pires e Lúcio Cavalli estão entre executivos da Vale que pediram habeas corpus preventivo

Quatro executivos da mineradora Vale recorreram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em busca de um habeas corpus preventivo que impeça que eles venham a ser presos durante as investigações sobre a tragédia de Brumadinho (MG). O rompimento de barragem da empresa no município mineiro,  ocorrido em 25 de janeiro, deixou ao menos 179 mortos e há ainda 131 pessoas desaparecidas.

Os recursos foram apresentados nessa segunda-feira (25) ao STJ em nome de Luciano Siani Pires (diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale ), Lúcio Cavalli (gerente-executivo de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão), Silmar Magalhães Silva (diretor de Operações do Corredor Sudeste) e Gerd Peter Poppinga (diretor-executivo de Ferrosos e Carvão).

A empresa não quis comentar o recurso de seus diretores, que foi distribuído no STJ para relatoria do ministro Nefi Cordeiro. O Ministério Público Federal (MPF) deve se manifestar a respeito dos pedidos de habeas corpus preventivo e ainda não há data prevista para análise do recurso.

O movimento se dá no momento em que, pela primeira vez,  a alta cúpula da mineradora é  apontada em depoimento como responsável pela tragédia com a barragem 1 da Mina Córrego do Feijão.

Um dos gerentes da empresa (que não teve a identidade divulgada) afirmou à Polícia Civil que chegou pessoalmente a discutir com superiores sobre o decréscimo no nível de segurança da barragem.

A direção da mineradora sempre negou conhecimento sobre a possibilidade de rompimentos. O presidente da empresa, Fábio Schvartsman, já fez reiteradas declarações defendendo que a  Vale é "uma joia brasileira" e não pode ser condenada pelo que chamou de "acidente".

No dia 12 deste mês, executivos da empresa reafirmaram em entrevista que a empresa não sabia dos riscos, cintando laudos periódicos que apontavam estabilidade da barragem.

Logo após a tragédia, dois engenheiros que atestaram a segurança da barragem, além de três funcionários da Vale, foram presos, mas os cinco foram soltos logo em seguida. Mais tarde, foram expedidos mandados de prisão contra outros oitos funcionários da empresa.

Na semana passada, seis pessoas foram ouvidas no âmbito das investigações sobre a Vale pelo Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais, incluindo os gerentes Joaquim Pedro de Toledo e Alexandre de Paula Campanha, que foram presos.

Veja imagens da tragédia com mineradora da Vale: