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Autoridades apuram se existem responsáveis pelo acidente que vitimou o jornalista e o piloto Ronaldo Quattrucci; empresa não podia prestar serviço

Helicóptero que transportava Ricardo Boechat atingiu caminhão na rodovia Anhanguera
Reprodução/TV Globo
Helicóptero que transportava Ricardo Boechat atingiu caminhão na rodovia Anhanguera

A Polícia Civil segue investigando os possíveis responsáveis pelo acidente aéreo que matou o jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci. O inquérito agora deve ouvir os fabricantes do helicóptero e da turbina da aeronave. Um representante do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também será ouvido.

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“Vamos fazer pedidos para ouvir o representante da aeronave, a QR Helicopters (empresa dona do helicóptero), o Cenipa, a Bells, que é fabricante do aparelho, e a Rolls Royce, que fabrica suas turbinas”, revelou o delegado Alexandre Marcos Kerckhof Cardoso e Silva, do 46º Distrito Policial (DP), em Perus, que é responsável pela investigação do acidente que tirou a vida de Boechat .

Sobre a QR Helicopters , o delegado disse que pretende apurar os motivos da empresa para prestar serviços que não era autorizada. “Além das questões técnicas específicas da aeronave, queremos saber do representante do helicóptero por que transportava passageiro, sendo que a autorização era só para equipamentos”, explicou.

Até agora, o inquérito já ouviu quatro pessoas: o motorista do caminhão que se chocou com a aeronave, João Adroaldo Tomanckeves, Leiliane Rafael da Silva, que presenciou o acidente e ajudou a resgatar o caminhoneiro e dois policiais militares que atenderam a ocorrência.

“Ela contou que o helicóptero veio de frente, na contramão da via, antes do impacto com o caminhão”, disse o delegado sobre o depoimento de Leiliane. “O helicóptero então vira na lateral, bate em cima do caminhão e passa por cima dele, caindo atrás e depois pega fogo", completou. Já o caminhoneiro informou que só soube que colidiu com um helicóptero depois do acidente, quando foi informado por testemunhas. 

Helicóptero que levava Boechat não poderia fazer táxi-aéreo

Aeronave que transportava Ricardo Boechat não poderia prestar levar passageiros
Reprodução
Aeronave que transportava Ricardo Boechat não poderia prestar levar passageiros

A Agência Nacional de Aviação Civil ( Anac ) suspendeu na quarta-feira (13), de forma cautelar, a RQ Serviços Aéreos Especializados, empresa dona do helicóptero que levava o jornalista Ricardo Boechat.

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De acordo com a agência a suspensão de deu em razão de "indícios de prática irregular de táxi-aéreo". O processo de investigação foi aberto pela Anac na própria segunda-feira para constatar o tipo de serviço que estava sendo prestado com a aeronave de prefixo PT-HPG no momento do acidente.

"A RQ Serviços Aéreos Especializados possuía autorização para prestar serviços especializados, como aerofotografia e aerocinematografia. A empresa, no entanto,  não possuía autorização para executar o serviço de transporte remunerado de passageiros, prática exclusiva de empresas certificadas como táxi-aéreo", disse a agência.

A agência reguladora informou que as empresas envolvidas na contratação do serviço foram oficiadas e terão cinco dias úteis, a partir da publicação no Diário Oficial da União, para prestarem esclarecimentos e apresentarem a documentação que comprove o tipo de contratação. Foram oficiadas as empresas Libbs Industria Farmacêutica, Zum Brazil Eventos e a própria RQ Serviços Aéreos Especializados.

Boechat tinha 66 anos, era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM   e tinha uma coluna semanal na revista  ISTOÉ . O jornalista nasceu em Buenos Aires, na Argentina, quando o pai Dalton Boechat, diplomata, estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores.

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