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Viúva, mãe, filhos e ex-colegas falaram sobre a perda do jornalista, que morreu nesta segunda-feira por conta de um acidente de helicóptero

Ricardo Boechat é velado no Museu da Imagem e Som de São Paulo; cerimônia aberta acontece até as 14h
Reprodução/TV Globo
Ricardo Boechat é velado no Museu da Imagem e Som de São Paulo; cerimônia aberta acontece até as 14h

Familiares, amigos e fãs de Ricardo Boechat se despedem do jornalista, que morreu nesta segunda-feira (11) em um acidente aéreo. O corpo do jornalista começou a ser velado por volta das 23h30 de ontem no Museu da Imagem e do Som, nos Jardins, região nobre da capital.

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O velório se estendeu pela madrugada e seguiu aberto ao público até as 14h desta terça-feira (12).  Às 16h, o corpo será cremado em uma cerimônia fechada à família de Boechat . A também jornalista Veruska Seibel, viúva de Boechat e mãe das duas filhas mais novas do apresentador, relembrou da bondade do marido.

"Era um poço sem fundo de pedido de ajuda de pessoas que não tinham mais a quem recorrer e ele sempre conseguiu achar ali dentro, muitas vezes não respondia as pessoas da família. Eu acabava virando pessoa de recado com a minha sogra, meus cunhados, mas se ele visse qualquer mensagem de uma pessoa precisando de ajuda neste país que é tão difícil sempre pra todo mundo, ele dava sempre prioridade em fazer o que fosse", disse Veruska .

"Meu marido era ateu, mas era o ateu que praticava o mandamento mais importante que era o amor ao próximo, nunca vi uma pessoa se preocupar tanto em ajudar os outros", completou a viúva.

Quem também falou foi a mãe do apresentador, Mercedez Boechat, de 86 anos. De acordo com jornalista Bárbara Gancia, que esteve na cerimônia, a mãe do jornalista "disse que nunca houve um ateu que fizesse tantas boas ações por dia como seu filho."

Carlos Boechat, irmão do jornalista, também se emocionou. "É um momento muito duro. O país perdeu, o jornalismo perdeu, a família perdeu. Eu gravava o jornal para ver quando chegasse em casa. Não sei como será a vida sem a voz dele", disse.

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Companheiro de bancada do jornalista na rádio, José Simão também lamentou a perda do amigo. "Hoje acordei e falei: 'Cadê o Boechat pra fazer o programa?'. A gente tinha uma relação que era muito mais que profissional, era amor, alegria", disse o apresentador.

Colega de Boechat na TV Bandeirantes  Ana Paula Padrão exaltou o legado deixado pelo jornalista. O rádio talvez tenha democratizado o verdadeiro Boechat e dado a ele a virada que fez na carreira, mas também no jornalismo. Do jornalista da nossa geração, treinado para ser 100% neutro, para um modelo mais moderno, em que o jornalista se emociona, torce, fica indignado. É difícil de incorporar porque tem um limite muito tênue. O Boechat promoveu essa revolução", opinou a apresentadora.

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O apresentador Milton Neves, que era muito próximo de Boechat, afirmou que o amigo era um "gênio" e disse que sentia no velório o mesmo clima que sentiu quando morreram figuras como Tancredo Neves e Ayrton Senna.

Boechat tinha 66 anos, era apresentador do  Jornal da Band  e da rádio  BandNews FM  e tinha uma coluna semanal na revista  ISTOÉ  . O jornalista nasceu em Buenos Aires, na Argentina, quando o pai Dalton Boechat, diplomata, estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores.

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