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Médium foi denunciado por abuso sexual e por posse ilegal de armas e está preso preventivamente em Aparecida de Goiânia desde dezembro de 2018

João de Deus foi preso no 16 de dezembro do ano passado sob a acusação de violação sexual mediante fraude e estupro
Cesar Itiberê/ Fotos Públicas
João de Deus foi preso no 16 de dezembro do ano passado sob a acusação de violação sexual mediante fraude e estupro

O Tribunal de Justiça de Goiás negou nesta terça-feira (11) o pedido de habeas corpus  feito pela defesa do médium goiano João Teixeira de Faria, o João de Deus. Denunciado por abuso sexual e por posse ilegal de armas, o líder espirituoso está preso preventivamente em Aparecida de Goiânia.

O pedido negado pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal diz respeito apenas ao processo a que João de Deus responde por manter, em uma de suas residências, em Abadiânia, uma pistola; três revólveres, um deles com numeração raspada, e munição.

As armas foram encontradas escondidas em fundo falso montado no armário de um dos quartos de um dos imóveis que foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos por policiais civis no dia 19 de dezembro. No local, também foram apreendidos R$ 405 mil em dinheiro.

Em seu voto, o desembargador-relator Edison Miguel destacou condições desfavoráveis para o médium, implicado também em processos de abuso sexual. Mesmo que obtivesse o  habeas corpus  no processo relativo à posse ilegal de armas, ele continuaria preso, pelas outras acusações.

“Ficou demonstrada a gravidade do crime, e a medida se faz necessária e adequada para a garantia e a manutenção da ordem pública. Por esta razão, estou revogando os efeitos da liminar e denegando a ordem prejudicada”, enfatizou o desembargador.

O advogado de Faria, Alberto Toron, antecipou a jornalistas que vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Entendemos que esta prisão, na linha do que já havia sido decidido pelo desembargador plantonista, é absolutamente injusta”, afirmou o advogado, sustentando que a prisão preventiva do médium é uma “espécie de punição antecipada”.

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“Essa ideia não se afina com a prisão preventiva, e vamos insistir nesse ponto nas instâncias superiores. É preciso separar o joio do trigo. As circunstâncias já renderam um outro processo contra o senhor João [pelas acusações de abuso sexual]. Ora, nesse outro processo, foi imposta a prisão preventiva. Neste, das armas, as razões são específicas. Caso contrário, o senhor João acabará preso neste processo pelas razões do outro”, disse Toron.

Alvo de acusações de mais de 250 mulheres desde o início de dezembro, o  líder espiritual que prestava atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola é réu por violação sexual mediante fraude e estupro de vulneráveis. Esse processo, que tramita no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), trata de supostos crimes cometidos contra quatro mulheres no período de abril a outubro do ano passado. 

O médium também já foi indiciado, juntamente à sua esposa, Ana Keyla, por porte ilegal de armas. O inquérito foi aberto após a Polícia Civil apreender revólveres e pistolas em endereços do líder espiritual. Também foram encontradas quantias de dinheiro em espécie que somam R$ 1,2 milhão, além de pedras preciosas. Esse último item, bem como um computador apreendido, ainda está sendo analisado pela perícia.

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João de Deus  foi preso no 16 de dezembro do ano passado sob a acusação de violação sexual mediante fraude e de estupro de vulnerável, crimes que teriam sido praticados contra centenas de mulheres na instituição em que atendia pessoas em busca de atendimento espiritual, em Abadiânia (GO).

* Com informações da Agência Brasil

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