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Avó de Lulu Kamayurá, de tribo do Parque do Xingu, acusava a ministra dos Direitos Humanos de ter levado menina sem o consentimento da família

A ministra Damares Alves e a filha
Reprodução/Facebook
A ministra Damares Alves e a filha "adotiva", Lulu

Lulu Kamayurá, filha adotiva da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, desmentiu a reportagem da Revista Época que afirmava que a menina teria sido sequestrada. Lulu vivia na aldeia indígena Kamayurá, no Parque do Xingu, no Mato Grosso, e foi morar com Damares aos seis anos.

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"Não fui sequestrada, eu fui salva", afirmou a menina em entrevista ao canal do Youtube Agora É . Lulu afirma ainda que estava muito desnutrida e precisava que alguém a ajudasse a sobreviver. A filha de Damares Alves questionou a reportagem da Época e reclamou de ter sua vida exposta sem ter sido consultada.

A avó paterna de Lulu Kamayurá , Tanumakaru, deu entrevista à revista afirmando que a  menina havia sido levada pela ministra Damares sem o consentimento da família. Ela teria saído da aldeia para fazer um tratamento dentário e nunca mais voltou. Damares desmente essa versão e afirma ter obtido a permissão dos pais biológicos de Lulu.

Márcia Suzuki, linguista e amiga de Damares, é uma missionária e teria sido a responsável por retirar Lulu da aldeia. Lulu e Damares teriam se conhecido em Brasília, apresentadas por Márcia. "Foi amor à primeira vista, o resto é tudo mentira", afirmou Lulu ao UOL .

A ministra apresenta Lulu como sua filha adotiva, apesar de a adoção nunca ter sido formalizada. Damares trabalha com populações indígenas há 16 anos. Ela é fundadora da ONG Movimento Atini - Voz Pela Vida, que tem a missão de “promover a conscientização e a sensibilização da sociedade sobre a questão do infanticídio de crianças indígenas.

Em 2015, no entanto, o Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) entrou com uma ação contra a ONG por "dano moral coletivo decorrente de suas manifestações de caráter discriminatório à comunidade indígena”, em função da divulgação de um filme sobre infanticídio indígena feito pela organização. A justiça determinou que o filme fosse retirado do ar, mas ainda é possível encontrá-lo na internet.

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Damares Alves também é tida como uma das idealizadoras do projeto de lei da Câmara dos Deputados que propõe o "combate a práticas tradicionais nocivas e à proteção dos direitos fundamentais de crianças indígenas˜.

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