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Tropas israelenses chegaram a Minas Gerais nesse domingo; 130 soldados foram escalados para buscar sobreviventes após o rompimento da barragem

Soldados das Forças de Defesa de Israel posam antes de embarque para o Brasil; eles vão atuar nas buscas em Brumadinho
Reprodução/Twitter/Forças de Defesa de Israel
Soldados das Forças de Defesa de Israel posam antes de embarque para o Brasil; eles vão atuar nas buscas em Brumadinho

A equipe de soldados israelenses que vai ajudar nas buscas por desaparecidos, após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, desembarcou em Minas Gerais na tarde  desse domingo (27). Israel, que está entre os primeiros países a prestar assistência a áreas atingidas por desastres, começa hoje as buscas pelas vítimas da catástrofe. 

Conhecido por sua rápida ajuda humanitária em catástrofes, a Unidade Nacional de Resgate das Forças de Defesa de Israel (FDI) foi criada em 1984 para lidar com ameaças no próprio país, como ataques terroristas. Porém, em 1985, a unidade passou a estender a ajuda para outros países. 

Apesar de 25 desastres aos quais já prestou assistência, esta é a primeira vez da unidade israelense no Brasil. O primeiro país a receber a ajuda da equipe foi o México, quando foi atingido por um terremoto, em 1985. O exército de Israel também já atuou na Argentina, Chile, Filipinas, Haiti, Japão, Nepal e Turquia. 

A equipe israelense começou a trabalhar na manhã desta segunda-feira. A estratégia para encontrar as vítimas é trabalhar com radares que identificam sinais de aparelhos celulares. No entanto, com o passar do tempo, é provável que os celulares já tenham desligado. 

Com o equipamento, as equipes de socorro podem saber, por exemplo, quais aparelhos se mantiveram ativos após a tragédia e quais estão inativos desde então. Também é possível saber qual torre de comunicação recebeu o último sinal emitido por um celular, o que diminui a área de buscas e facilita a localização dos desaparecidos. 

Outra tecnologia israelense utilizada é um radar que identifica elementos de composição diferente da lama, possilitando localizar corpos em até três metros de profundidade. Porém, a profundidade da lama chega até 15 metros.

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A tropa é composta por 130 soldados e oficiais reservistas, entre eles engenheiros, médicos, socorristas, bombeiros e membros da unidade submarina da Marinha. Eles levaram drones e cães farejadores para ajudar no resgate dos desaparecidos em Brumadinho , além de 16 toneladas de equipamentos tecnológicos. O representante da equipe disse, nesta segunda-feira, que a prioridade dos homens é procurar por sobreviventes. 

A Força de Defesa israelense também usou as redes sociais para falar sobre a vinda para a cidade mineira. Eles mostraram uma reunião da equipe antes do embarque para o Brasil e uma foto dos soldados que fazem parte da missão. "Salvar vidas não é sobre o quão longa é a distância, mas até onde você está disposto a ir", foi a legenda da imagem. 

Pelas redes sociais, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu comentou a conversa que teve com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, sobre o envio de tropas a Brumadinho. "Eu ofereci que o país mandasse ajuda ao local do desastre e assistência para as buscas. Ele me agradeceu e aceitou a oferta", escreveu o parlamentar. 

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O envio das tropas de Israel a Minas Gerais ocorre em um momento que Bolsonaro e Netanyahu tem se aproximado. Em dezembro, o primeiro-ministro veio ao Brasil para uma reunião com o presidente para discutir a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. O encontro, que representou a primeira viagem de Netanyahu ao Brasil, foi amistoso.