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Renatinho Problema, antes suspeito de envolvimento no caso, informou à polícia que levou Orlando Curirica para se encontrar com Marcello Siciliano em pelo menos quatro ocasiões; os dois podem ser mandantes do assassinato

Assassinato de Marielle Franco segue sem grandes esclarecimentos
Mário Vasconcellos/Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Assassinato de Marielle Franco segue sem grandes esclarecimentos

O caso do assassinato de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, teve mais uma pista nesta semana – depois de dez meses sem resposta. Em depoimento, Renato Nascimento dos Santos, conhecido como Renatinho Problema, afirmou que levou o miliciano Orlando Curirica, suspeito de envolvimento no caso, para se encontrar com o vereador Marcello Siciliano (PHS) pelo menos quatro vezes. As informações são do jornal O Globo .

Renatinho problema é ex-PM e foi preso no dia 18 de dezembro, suspeito de estar no carro de onde sairam os tiros que mataram Marielle e Anderson, mas foi considerado inocente. Ele é apontado como integrante da milícia de Orlando Curirica, citado por testemunhas como mandante do assassinato. 

O depoimento de Renatinho Problema entrou em um dos 28 volumes do inquérito aberto para apurar o crime contra a vereadora do PSOL. Ele revelou à polícia que era motorista de Orlando e levava o miliciano até a empresa Martinelli Imóveis e a casa do  vereador Marcello Siciliano, também suspeito de ser o mandante do assassinato da vereadora. 

Antes do depoimento de Renatinho, a única evidência que ligava Orlando a Siciliano era a delação de um ex-integrante da milícia, que contou que, em junho de 2017, viu o vereador em um restaurante com Orlando. O político teria reclamado de Marielle e pedido ao miliciano para “resolver o problema”.

Entretanto, Siciliano disse à polícia que os dois só se conheciam "de vista" e negou a conversa com Orlando, embora pudesse ter apertado a mão do miliciano em algum momento por conta de sua atividade como político. De acordo com uma testemunha-chave, o vereador disse a Orlando: “Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando” e teria batido forte numa mesa e gritado: “Marielle, piranha do Freixo”. 

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Nessa terça-feira, Siciliano voltou a dizer que está "revoltado" com a exposição que está sofrendo "sem qualquer prova" de seu envolvimento no caso. Ele ainda disse que quem tenta ligá-lo ao assassinato da vereadora e seu motorista é uma pessoa "sem credibilidade" e um "criminoso confesso". 

No último sábado, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse que as investigações sobre o caso Marielle Franco estão próximas de um desfecho e que talvez isso aconteça até o final deste mês. 

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