Tamanho do texto

Nos vídeos, o estudante aparecia com uma camiseta de Bolsonaro, armado, e dizia "tá vendo essa negraiada? vai morrer!"; ele foi suspenso em outubro

Alunos fazem protesto contra o estudante do Mackenzie que fez vídeo racista e pedem posicionamento da instituição
Reprodução/Coletivo Negro Afromack
Alunos fazem protesto contra o estudante do Mackenzie que fez vídeo racista e pedem posicionamento da instituição

A Universidade Presbiteriana Mackenzie expulsou, nesta quinta-feira (10) o aluno Pedro Baleotti, depois da repercussão de um vídeo em que aparece fazendo declarações racistas, que viralizou nas redes sociais durante as eleições. Ele estava suspenso desde outubro após protestos de estudantes da instituição. O Ministério Público resolveu arquivar o caso.

Leia também: Mulher negra sofre racismo ao tentar entrar no seu próprio apartamento em SP

"Os trâmites institucionais foram cumpridos e o aluno foi expulso, receberá todos os documentos quanto aos créditos cumpridos. A instituição não coaduna com atitudes preconceituosas, discriminatórias e que não respeitam os direitos humanos", afirmou o Mackenzie por meio de nota.

A decisão foi tomada no dia 28 de dezembro a partir de um parecer do Ministério Público sobre o ocorrido. A promotoria considerou que a expulsão do aluno, que cursava o 10º termo de Direito na instituição, foi "suficiente", não viu necessidade de mover uma ação civil pública e resolveu arquivar o caso. 

No vídeo , o estudante aparece dentro do carro, indo votar com uma camiseta do presidente Jair Bolsonaro, e afirma: “Indo votar ao som de Zezé, armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vadio, vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo. Tá vendo essa negraiada? Vai morrer! Vai morrer! É capitão, caralho”, exclama.

Em um segundo vídeo, gravado há cinco meses, e enviado a outros três amigos, Balleoti aparece segurando uma arma e canta versos como “capitão, levanta-te”. Ele afirmou que o vídeo foi enviado para um amigo de Londrina, interior do Paraná, que teria votado em Ciro Gomes (PDT) no primeiro turno e divulgou as declarações racistas. 

Quando o caso veio à tona, em outubro, a universidade divulgou uma nota repudiando a atitude do estudante e informando sobre a suspensão preventiva. No entanto, os alunos resolveram realizar protestos na época pedindo a expulsão de Baleotti. Na noite dessa quarta, o coletivo negro AfroMack agradeceu a mobilização por meio de nota nas redes sociais.

“Agradecemos todos que endossaram a luta, que compareceram aos protestos e se indignaram com o racismo presente na ação do aluno. A referida decisão demonstra a seriedade e o compromisso da universidade no combate ao racismo . O que é de suma importância não somente para comunidade mackenzista, mas para toda sociedade”, diz o texto. 

Leia também: Vítima de racismo dentro de ônibus em SP desabafa: "apanhei por ser preta"

Após a repercussão, Balleotti também perdeu seu emprego como estagiário em um escritório de advocacia. O então estudante do Mackenzie pediu desculpas, justificou sua fala como "infeliz" e disse que foi motivado por "indignação" porque ele carrega “um sentimento de injustiça de muitos anos com o governo federal.