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Polícia de SP abriu inquérito para investigar ato racista cometido por Pedro Balleoti; alunos da instituição pediram a expulsão do aluno, que foi suspenso

Alunos fazem protesto contra o estudante do Mackenzie que fez vídeo racista e pedem posicionamento da instituição
Reprodução/Coletivo Negro Afromack
Alunos fazem protesto contra o estudante do Mackenzie que fez vídeo racista e pedem posicionamento da instituição

O estudante de direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pedro Bellintani Balleoti, de 25 anos, pediu desculpas por sua declaração, dada em vídeo no último domingo (28). Na gravação, o estudante do Mackenzie aparece com uma camiseta do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), dizendo que estava com arma e faca e ameaçando matar negros e opositores. 

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“Foi uma fala completamente infeliz, eu estou completamente arrependido, não imaginava essa proporção que o vídeo ia tomar. Fiquei arrasado e arrependido pelo sofrimento que eu possa ter causado para todas essas pessoas” disse, nesta terça-feira (31) o estudante do Mackenzie , a uma reportagem da Folha de S.Paulo.

“Acabei externando, nessas palavras completamente equivocadas, erradas, a pessoas que não tinham nada a ver com a minha indignação. Pelo contrário, não sou uma pessoa racista, muito menos violento. Quem me conhece, pode atestar meu comportamento, até pela minha formação familiar, pessoal. Estou extremamente triste e até preocupado com os efeitos que eu possa ter causado para as pessoas afetadas” afirmou. 

No vídeo racista, o estudante aparece dentro do carro, indo votar com uma camiseta de Bolsonaro, e afirma: “Indo votar ao som de Zezé, armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vadio, vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo. Tá vendo essa negraiada? Vai morrer! Vai morrer! É capitão, caralho”, exclama.

Em um segundo vídeo, gravado há cinco meses, e enviado a outros três amigos, Pedro Balleoti aparece segurando uma arma e canta versos como “capitão, levanta-te”.  O estudante contou à Folha que o vídeo foi divulgado por um amigo, que votou em Ciro Gomes (PDT) no primeiro turno. 

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do DHPP abriu uma inquérito policial para investigar o crime de discriminação ou preconceito de raça e, segundo a Secretaria da Segurança Pública, o aluno "será convocado para prestar esclarecimentos". Na universidade paulista, Balleoti foi suspenso. 

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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou que a Promotoria de Direitos Humanos também interveio e "requisitou a instauração de inquérito policial e também representou junto à comissão de ética da OAB, para apuração da conduta do estudante". 

Depois de suspender o aluno, o reitor do Mackenzie, Benetido Aguiar Neto, divulgou uma nota afirmando que opiniões e atitudes do estudante são "veementemente repudiadas", leia a nota na íntegra abaixo: 

“A Universidade Presbiteriana Mackenzie tomou conhecimento de vídeos produzidos por um discente, fora do ambiente da Universidade, e divulgados nas redes sociais, onde ele faz discurso incitando a violência, com ameaças, e manifestação racista.

Tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas por nossa Instituição que, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas. Iniciou, paralelamente, sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade."

O escritório de advocacia em que o estudante trabalhava também repudiou o episódio e anunciou a demissão de Pedro Balleotti. Nesta segunda-feira (29), em sua página do Facebook, o escritório DDSA publicou a seguinte nota: 

O DDSA tomou conhecimento, na tarde de hoje, de vídeo que circula nas redes sociais com declarações efetuadas por acadêmico de Direito que fazia estágio no escritório e imediatamente o desligou de seus quadros. O escritório repudia veementemente qualquer manifestação que viole direitos e garantias estabelecidos pela Constituição Federal.

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Após a repercussão do vídeo, estudantes se reuniram na terça-feira na universidade, durante a manhã e à noite, para protestar contra o conteúdo do vídeo, pedir a expulsão do estudante do Mackenzie , além de medidas de segurança. 

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