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Esposa do soldado Daniel Mariotti, primeiro policial morto no Rio de Janeiro no ano, publicou mensagem dele prometendo ao filho que voltaria pra casa

Policial morto no Rio de Janeiro mandou mensagem para o filho de três anos prometendo voltar pra casa pouco antes de ser assassinado
Reprodução/Facebook
Policial morto no Rio de Janeiro mandou mensagem para o filho de três anos prometendo voltar pra casa pouco antes de ser assassinado

A comoção em torno da morte do policial militar Daniel Henrique Mariotti, primeiro agente de segurança morto no ano no Rio de Janeiro, não para de aumentar. Após o novo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), divulgar nota de pesar e participar do enterro do soldado, o novo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), também prestar condolências à família e o pai da vítima divulgar a última mensagem que recebeu do filho , agora foi a vez da viúva do PM divulgar uma mensagem que o marido mandou para o filho do casal, de apenas três anos.

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Através do próprio perfil no Facebook, a viúva do PM Daniel Mariotti, Camila Mariotti, divulgou um áudio que o oficial de 30 anos enviou para o filho no mesmo dia de sua morte. Na mensagem, o policial diz ao filho que "papai tá trabalhando. Papai só vai chegar de noite, tá bom? À noite o papai deita com você aí. Tchau". Pela descrição dos posts feitos nas redes sociais, o filho era muito apegado ao pai e segue perguntando quando Daniel Mariotti vai voltar pra casa. Escute o áudio na postagem:

Além desta, uma outra mensagem enviada pelo próprio policial confirmou o amor entre pai e filho. Nesta, enviada no mesmo dia em que foi assassinado, Daniel diz esperar que seu filho, agora órfão, sentisse tanto amor por ele quanto ele sentia pelo próprio pai.

"Pai, estou estou escutando um louvor, e me veio a lembrança da minha infância e de tudo o que passamos juntos", escreveu . "Queria te agradecer por tudo que fez e ainda faz por mim", continuou. "Agora que sou pai, percebo o tamanho do amor que um pai tem por um filho. Você foi e é o melhor que você pode ser. Queria dizer que te amo muito. Espero que meu filho sinta por mim o amor que sinto por você", disse o oficial que tinha 30 anos em mensagem emocionante enviada ao próprio pai .

Além da mensagem enviada para o filho e do vídeo da criança perguntando sobre a ausência do pai, Camila Mariotti também divulgou outras fotos e mensagens que o soldado da PM tinha enviado em outras ocasiões. Aparentemente, o mês de dezembro tinha sido de muita festa para a família já que a viúva do PM completou 25 anos de idade no último dia 18 e celebraram o Natal juntos.

Na noite de réveillon, porém, Daniel, a esposa e o filho estavam separados já que o oficial estava de plantão. Camila revelou mensagem na qual eles trocam votos de feliz ano novo e o policial diz que "2019 vai ser o ano de nossas vidas", para na sequência completar: "Deus vai nos surpreender".

Ainda, em outra postagem, a esposa do policial afirma que  Daniel Mariotti queria sair da PM e que o casal planejava se mudar "mas não deu tempo".

O soldado Daniel Henrique Moretti, de 30 anos, integrava o 22º Batalhão da Polícia Militar (BPM) do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), unidade da Maré. Ele e outros oficiais da unidade se deslocavam pela Linha Amarela, uma das principais vias da cidade, em motocicletas da corporação no último sábado (5) quando avistaram criminosos armando uma tentativa de arrastão próximos à saída 7 da via, na altura do viaduto da Avenida dos Democráticos. Ao se aproximarem dos assaltantes, porém, os criminosos atiraram e acertaram o soldado antes de fugir.

O veículo roubado pelos criminosos foi encontrado incinerado em Manguinhos, também na zona norte do Rio de Janeiro, e o agente foi levado para o Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), passou por cirurgia de remoção da bala, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu ainda às 19h20 de sábado.

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A equipe médica do hospital informou que ele foi imediatamente estabilizado no atendimento inicial enquanto aguardava avaliação de neurocirugiões do HGB. convocados para assisti-lo. Neurocirurgiões da Polícia Militar estavam presentes no local para agilizar sua transferência para a cirurgia, mas nem isso foi suficiente.  "Todos os esforços foram feitos no sentido de garantir sua estabilidade mas os ferimentos form muito graves", informou, em nota, a equipe do hospital.

O velório foi realizado às 12h de domingo, no Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste do Rio, e contou com a participação do governador Wilson Witzel (PSC) que fez questão de carregar o caixão com o corpo sepultado por volta das 16h30.

Na ocasião, o novo governador do Rio de Janeiro declarou que "nós não vamos permitir que o crime organizado continue barbarizando a nossa sociedade. É preciso agir com rigor. Nós temos a convicção de que vamos vencer o crime organizado. O Estado é mais forte. Vamos utilizar todos os esforços e meios para aniquilar e asfixiar o crime organizado", declarou Witzel.

Na véspera, o governador já tinha divulgado nota em que dizia: "o Rio de Janeiro acaba de perder mais um herói nesta guerra contra os terroristas nas ruas do nosso Estado. Quero manifestar meu mais profundo pesar pelo assassinato do soldado PM Mariotti e minhas condolências à família. Que Deus o abençoe e o receba. Como governador, a morte de um policial é como perder um filho. Vamos investigar este caso com todo o rigor e não vamos parar o combate ao crime até devolvermos a paz ao Estado", afirmou.

Já o presidente Jair Bolsonaro (PSL) prestou condolências à família do policial pelo Twitter. Bolsonaro disse que "a caça aos agentes de segurança e o massacre dos cidadãos de bem sempre foram tratados como números", mas que "Legislativo, Executivo e Judiciário juntos, devem na lei, propiciar garantias para que o bem vença o mal".

Mariotti foi o primeiro agente de segurança do Rio de Janeiro assassinado em 2019, mas um segundo caso já foi registrado em menos de 48 horas. A vítima da vez é o soldado Miqueias Marinho Riberio, que trabalhava no 16º BPM, de Olaria. De acordo com as primeiras informações, o militar foi morto, a tiros, na manhã desta segunda-feira (7), quando chegava de carro em casa, na localidade Primavera, em Engenheiro Pedreira, Japeri, na Baixada Fluminense.

Segundo a Polícia Militar , o pai da vítima disse que chegou a escutar os disparos, correu para ver o que era e viu o filho já baleado dentro do seu carro, um Fiat Siena prata. Socorrido para a Policlínica Itália Franco, no bairro Santa Inês, o soldado não resistiu aos ferimentos. Ainda não se sabe a motivação do crime. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) faz perícia no local. Até a publicação da reportagem nenhum suspeito havia sido preso.

O caso não é muito diferente do primeiro em que nenhum suspeito da morte do soldado Mariotti foi preso. As polícias militar e civil do estado estão realizando operação conjunta em comunidades da Zona Norte do Rio desde domingo com o objetivo de localizar e prender os assassinos que balearam o policial.

O Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar, que conta com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), Batalhão de Ações com Cães (BAC) e Grupamento Aeromóvel (GAM), operou nas comunidades Arará, Mandela e Manguinhos.

Além disso, policiais militares do 3º BPM (Méier), 16º BPM (Olaria) e 22º BPM (Maré) também atuaram nas comunidades Morar Carioca e Bandeira 2. Já no Jacaré, havia equipes da Polícia Civil - Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) e delegacias especializadas atuando no domingo.

Na manhã desta segunda-feira, por sua vez, há relatos de agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) realizando, pelo segundo dia seguido, uma ação na Favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio.

Até agora, porém, o Batalhão de Choque prendeu apenas quatro pessoas e apreendeu uma moto roubada na comunidade do Mandela. Uma carga roubada foi recuperada por policiais do BOPE e da UPP Manguinhos e mais de 400 kg de material entorpecente foram encontrados pelo Batalhado de Ação com Cães (BAC), mas ainda nenhum suspeito da morte de Daniel Henrique Mariotti foi preso.

Diante disso, o Disque Denúncia já ofereceu uma recompensa de R$ 5 mil por informações que levem ao paradeiro dos envolvidos na morte do policial . Segundo as primeiras informações, os criminosos estavam em um Ford Fusion roubado, de cor branca, que foi recuperado na Rua Luiz Zancheta, no Riachuelo.

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Denúncias podem ser feitas pelo WhatsApp ou Telegram do Portal dos Procurados, pelo telefone (21) 98849-6099; na Central de Atendimento, pelo (21) 2253-1177; através do Facebook; e pelo aplicativo “Disque Denúncia RJ”. O anonimato é garantido pela polícia. A viúva do PM disse aguardar pela solução do caso.


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