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Médium de Abadiânia passou a ser procurado após decisão da Justiça de Goiás de mantê-lo como preso preventivo durante as investigações de abuso

João de Deus recebeu mandato de prisão preventiva
Cesar Itiberê/ Fotos Públicas
João de Deus recebeu mandato de prisão preventiva


Após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça de Goiás , o médium João de Deus segue desaparecido. Em nota de esclarecimento enviada nesta sexta-feira (14), a Polícia Civil informou que ainda não localizou o líder espirituale, a partir das 18h, ele passou a ser considerado foragido.

“Informamos que o mandado de prisão preventiva representado pela Polícia Civil de Goiás em desfavor de João Teixeira de Faria, mais conhecido como " João de Deus ", foi deferido pelo Poder Judiciário nesta sexta-feira (14). Neste momento, a PCGO se empenha em dar cumprimento à referida determinação judicial”, diz o comunicado.

O médium só poderia ser considerado foragido caso não fosse encontrado até as 18h desta sexta-feira. Como a lei não permite que a polícia cumpra mandados em residências durante finais de semana, o líder espiritual poderá passar sábado e domingo em sua casa em Abadiânia , interior de Goiás.

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O médium é alvo de pelo menos 330 denúncias de abuso sexua l. O grande número de casos – revelados após a divulgação de depoimentos de vítimas na última semana – fez com que o órgão convocasse a titular da promotoria de Abadiânia, Cristiane Marques, que estava de férias, para reforçar a força-tarefa que investiga as acusações.

O advogado que representa João, Alberto Zacharias Toron, disse na noite de quarta ao  iG  que era cedo para qualquer manisfestação sobre o pedido de prisão, uma vez que a defesa não havia tido acesso ao teor da acusação.

"Sem conhecer os termos pelos quais ele foi veiculado, fica difícil de me manifestar. De qualquer modo, eu ressalto que João continua em Abadiânia à disposição das autoridades", afirmou o advogado.

Com a quantidade acumulada de denúncias de abuso sexual,   João de Deus   poderá "quebrar o recorde" de outro caso famoso, do ex-médico de reprodução assistida Roger Abdelmasshih. Ele foi condenado a 278 anos de prisão por ter cometido 52 estupros e quatro tentativas de estupro a 39 mulheres diferentes. Nesse processo, foram ouvidas mais de 200 pessoas, entre elas 130 testemunhas de defesa e 35 mulheres que acusavam o médico.