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Administrador da Casa Dom Inácio de Loyola afirmou que médium, alvo de denúncias por abuso sexual, recebe medicação por conta de hipertensão

Ministério Público de Goiás pediu prisão preventiva do médium João de Deus
Divulgação/Casa Dom Inácio de Loyola
Ministério Público de Goiás pediu prisão preventiva do médium João de Deus

O médium João de Deus, alvo de uma série de acusações por abuso sexual , está "recolhido" e sendo medicado em uma chácara de Anápolis, a 55 quilômetros de Goiânia. De acordo com o administrador da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, o médiu passou mal após crise de hipertensão na noite dessa quarta-feira (12).

“Ele [ João de Deus ] está recolhido e medicado. Recolhido, porque acabou passando mal ontem quando chegou na Casa [Dom Inácio de Loyola]. E medicado por causa dos picos de pressão que tem tido, mas tudo sob controle, tomando remédios e sem riscos de algo grave. Nós precisamos saber quais serão os andamentos da Justiça em relação a esta situação e estamos acompanhando tudo”, disse o administrador Chico Lobo em depoimento ao portal G1 . A reportagem do iG tentou, por diversas vezes, contatar Chico Lobo, mas não houve resposta.

O recolhimento do médium se dá imediatamente após o Ministério Público de Goiás (MP-GO) ter pedido a prisão preventiva do médium , o que ocorreu no fim da tarde de ontem. Ainda não houve resposta da Justiça quanto ao pedido. O caso corre sob sigilo judicial.

O pedido de prisão foi protocolado após a promotoria goiana ter recebido mais de 200 denúncias de mulheres que se apresentaram como vítimas de João de Deus. Segundo o Ministério Público do estado, as vítimas que denunciaram abusos se identificaram como residentes de nove estados e do Distrito Federal. Também há na relação de supostas vítimas uma moradora dos Estados Unidos e outra da Suíça.

O advogado que representa o médium, Alberto Zacharias Toron, disse na noite de ontem ao iG que era cedo para qualquer manisfestação sobre o pedido de prisão, uma vez que a defesa não havia tido acesso ao teor da acusação.  "Sem conhecer os termos pelos quais ele foi veiculado, fica difícil de me manisfestar. De qualquer modo, eu ressalto que João de Deus continua em Abadiânia à disposição das autoridades", afirmou o advogado.

Horas antes do surgimento do pedido de prisão, o líder espiritual esteve na Casa Dom Inácio de Loyola pela primeira vez desde que começaram a surgir denúncias contra ele . O médium permaneceu no local por apenas 10 minutos e se disse inocente. "Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs. Agradeço a Deus por estar aqui. Ainda sou irmão de Deus, mas quero cumprir a lei brasileira porque estou na mão da lei brasileira. João de Deus ainda está vivo", declarou.

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De acordo com o coordenador da força-tarefa do MP-GO responsável por apurar as denúncias contra João de Deus , promotor Luciano Miranda Meireles, há indícios de que o líder espiritual tenha praticado diversos tipos de crimes sexuais, como estupro, estupro de vulnerável (quando cometido contra menor de 14 anos ou quem esteja em situação de vulnerabilidade) e violação sexual mediante fraude. Os dois primeiros crimes, segundo observou Mendes, são considerados hediondos, sendo o estupro de vulnerável o crime com maior pena prevista, podendo resultar em condenação de até 15 anos de reclusão.