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Investigação aponta que estudante de 19 anos contou com ajuda de alguém, "com consentimento", para se ferir; em B.O., jovem disse que foi atacada por três apoiadores de Bolsonaro ao usar camiseta com inscrição '#EleNão'

Jovem que apresentou suástica na barriga é uma pessoa
Reprodução
Jovem que apresentou suástica na barriga é uma pessoa "doente" e que toma "remédios fortíssimos", segundo delegado

Investigação conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul constatou que a  estudante de 19 anos de idade marcada com uma suástica na barriga se automutilou, e não foi agredida por apoiadores do candidato Jair Bolsonaro (PSL), como ela alegava. Ela deve responder por falsa comunicação de crime.

O episódio ocorreu no dia seguinte à votação do primeiro turno. Segundo a jovem relatou ao registrar boletim de ocorrência, ela teria sido agredida por três homens que se indentificavam como apoiadores de Bolsonaro por usar camiseta com a estampa "#EleNão", em repúdio ao presidenciável. Os agressores então teriam usado um estilete para gravar a suástica na barriga da estudante.

O delegado da Polícia Civil informou, em depoimento ao jornal Folha de S.Paulo , que foram analisadas imagens de diversas câmeras de vigilância dos prédios próximos ao local onde a suposta agressão teria ocorrido. Em nenhuma delas, no entanto, a jovem foi vista. "Entrevistamos guardadores de carro, síndicos de prédio, mais de 20 pessoas e nenhuma delas viu", disse o delegado Paulo César Jardim à Folha .

Ainda segundo o delegado, o laudo pericial indica que a própria jovem se automutilou e "foi ajudada por alguém, com consentimento".

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Apesar da constatação de que este episódio de agressão não foi real, levantamentos mostram que houve escalada da violência motivada por razões políticas no Brasil – tanto no mundo físico quanto no virtual.

Segundo estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), houve 2,7 milhões de comentários sobre agressões somente nos primeiros cinco dias de segundo turno da corrida eleitoral. Nos 30 dias anteriores à eleição, esse tipo de comentário fora publicado 1,1 milhão de vezes.

Levantamento realizado pela Agência Pública revela que apoiadores de Bolsonaro ou de Haddad realizaram pelo menos 50 ataques em todo o País neste período de eleições.

Ainda sobre o caso da estudante de Porto Alegre, o delegado da Polícia Civil disse que os policiais já suspeitavam que o ferimento com a marca símbolo do nazismo alemão era fruto de autoflagelo. Para ele, a jovem que registrou o boletim de ocorrência é uma pessoa "doente, que toma remédios fortíssimos".

A fotografia da suástica na barriga da jovem de Porto Alegre chegou a ser exibida no programa do candidato Fernando Haddad (PT) no horário eleitoral . A propaganda da coligação Povo Feliz de Novo (PT-PCdoB-Pros) diz que "seguidores de Bolsonaro espalham o terror pelo Brasil, perseguem, agridem e até matam". À época em que o caso ainda não havia sido elucidado, o próprio candidato Fernando Haddad chegou a usar suas redes sociais para comentar a suposta agressão à estudantes porto-alegrense.