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Depois de ter dito, na terça, que não tem nada a ver com as atitudes violentas que alguns dos seus apoiadores têm assumido, o candidato do PSL endureceu o discurso e criticou os atos de violência cometidos em defesa da sua vitória

Jair Bolsonaro tem campanha centrada na internet e teve que engrossar seu discurso sobre a violência política
Reprodução/Youtube
Jair Bolsonaro tem campanha centrada na internet e teve que engrossar seu discurso sobre a violência política

O candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, afirmou, na noite desta quarta-feira (10), que é contra qualquer ato de violência política contra pessoas que não pretendem votar nele no segundo turno das eleições 2018 . Segundo o presidenciável, quem adota tais atitudes pelas ruas pode deixar de dedicar seus votos a ele, pois a campanha do PSL 'dispensa estes votos'.

“Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim", escreveu Bolsonaro nas redes sociais, frente aos episódios de violência política . "A esse tipo de gente, peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar", completou.

A declaração de Bolsonaro vem depois de uma sequência de relatos de violência atribuídos, principalmente, a seus apoiadores. No último domingo (7), um mestre de capoeira foi morto, na Bahia, por um apoiador de Bolsonaro , após uma discussão política. 

Na última terça-feira (9), perguntado sobre o episódio, o candidato havia dito que lamentava o fato, mas afirmou que não tinha responsabilidade pelos atos dos seus seguidores. "Quem tomou a facada fui eu, pô! O cara lá que tem uma camisa minha, comete lá um excesso. O que eu tenho a ver com isso? Eu lamento" disse o candidato. "Peço ao pessoal que não pratique isso, mas eu não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam", disse.

Cerca de 50 episódios de violência política 

Violência política em Porto Alegre: jovem é agredida por apoiadores de Bolsonaro,  que gravaram o símbolo do nazismo na pele da vítima
Reprodução
Violência política em Porto Alegre: jovem é agredida por apoiadores de Bolsonaro, que gravaram o símbolo do nazismo na pele da vítima

Na noite desta segunda-feira (8), uma jovem de 19 anos registrou um boletim de ocorrência em Porto Alegre . Ela, que usava uma camiseta com a estampa "#Elenão", em repúdio ao presidenciável, afirmou ter sido agredida por três homens que se indentificavam como  apoiadores de Bolsonaro .

Eles a agrediram e, com um estilete, gravaram uma suástica – o símbolo do nazismo – em sua pele. A polícia a acompanhou em um exame de lesão corporal, e a jovem passa bem.

Frente à continuação destes episódios, o discurso de Bolsonaro teve que endurecer. De acordo com a Agência Pública, apoiadores do presidenciável realizaram pelo menos 50 ataques em todo o País desde as eleições.

O primeito turno foi realizado no domingo (7), com 13 candidatos. Bolsonaro venceu com 46,03% dos votos válidos. Haddad terminou com 29,28%. Ambos vão disputar a corrida presidencial no segundo turno.

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Apesar da recomendação médica de evitar um ritmo mais acelerado de atividades, Bolsonaro convocou um ato político no Rio nesta quinta-feira (11). Por meio de interlocutores, o candidato convocou os eleitos pelo PSL e partidos coligados para o evento, às 14h, no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca. A expectativa, segundo apoiadores, é reunir 380 pessoas.

No evento, será transmitido um discurso do candidato destacando a importância do engajamento no segundo turno. Espera-se que ele fale também a respeito da escalada de violência política após o primeiro turno e que critique aqueles que estão agredindo a oposição na rua.

* Com informações da Agência Brasil.

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