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Empresário paulista nega que tenha levado dólares a estacionamento de hospital em Juiz de Fora (MG) para trocar por R$ 15 milhões em episódio que acabou em tiroteiro entre policias civis de Minas Gerais e São Paulo. Entenda

Empresário nega que tenha levado R$ 15 milhões ao local onde aconteceu tiroteio entre policiais civis de Minas Gerais e São Paulo
Divulgação/Polícia Civil
Empresário nega que tenha levado R$ 15 milhões ao local onde aconteceu tiroteio entre policiais civis de Minas Gerais e São Paulo

O empresário paulista Flávio de Souza Guimarães, envolvido em um tiroteio entre policiais civis mineiros e paulistas em Juiz de Fora (MG), na última sexta-feira (19), que acabou com a morte de um agente e deixou outras duas pessoas feridas, prestou depoimento à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (22) e negou que tenha levado dólares para trocar por R$ 15 milhões no local do ocorrido.

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Segundo a investigação, o empresário paulista foi até Juiz de Fora (MG) escoltado por nove policiais civis de São Paulo que faziam "bico" de seguranças particulares para realizar a troca de dólares com Antonio Vilela, 66 anos, dono dos R$ 15 milhões, que, por sua vez, também tinha quatro agentes da Polícia Civil de Minas Gerais na sua equipe de segurança particular. As câmeras de segurança do estacionamento do hospital particular Monte Sinai onde tudo ocorreu registraram o momento em que o tiroteio ente policiais civis mineiros e paulista começou.

As imagens do sistema de vigilância dos portões das entradas principal, do subsolo do hospital e das câmeras de segurança internas do estacionamento do subsolo foram encaminhadas à Polícia Civil.

Pela versão principal, os policias mineiros teriam atirado quando perceberam que os homens que acompanhavam o empresário paulista estavam armados. Outra versão, porém, indica que o motivo do começo da confusão teria sido a identificação de que a maior parte dos R$ 15 milhões eram falsos. Em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo que durou quase quatro horas, porém, Flávio disse que o objetivo do encontro era negociar um empréstimo para a empresa dele e que como garantia, ofereceria imóveis em São Paulo, negando que tenha levado dólares para o local.

O empresário ainda afirmou que fugiu antes da confusão começar. Ele deixou Juiz de Fora, em um táxi aéreo com origem no Aeroporto Francisco Álvares de Assis (Serrinha), no fim da tarde de sexta-feira (19), junto com outros dois passafeiros e dois pilotos, rumo ao Aeroporto Campo de Marte, que fica em São Paulo. O aeroporto já informou que colabora com as investigações e que também cedeu as imagens de suas câmeras de segurança e os relatórios de todos os pousos e decolagens realizados na última sexta-feira.

Flávio disse que só soube no retorno à São Paulo que o tiroteio teria vitimado o agente da Polícia Civil de Minas Gerais Rodrigo Francisco e que o dono da empresa de segurança, Jerônimo da Silva Leal Júnior, de 42 anos, ficou gravemente ferido após ser baleado.

Ele segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do próprio Hospital Monte Sinai  onde está acompanhado pela Central de Escolta de Juiz de Fora (Ciesp) e de onde sairá preso preventivamente por homicídio. Ele teria sido o autor do disparo que vitimou o policial civil.

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Já Antonio Vilela, o suposto dono dos R$ 15 milhões falsos, levou um tiro no pé, foi medicado no próprio hospital e depois acabou sendo preso, ainda no domingo (21), no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp). Ele já tinha passagem pela polícia, após ter sido detido num hotel em São Roque, no interior de São Paulo, em 2015, quando tentou trocar R$ 5 milhões em notas falsas por US$ 200 mil.

No depoimento, o empresário paulista disse também que contratava regularmente a empresa de segurança de Jerônimo da Silva Leal Júnior e que foi a própria companhia que tinha escolhido acompanhá-lo na viagem. Flávio de Souza Guimarães reafirmou que não sabia que os seguranças eram policias civis já que é proibido que agentes policiais prestem serviços particulares de segurança.

Como consequência da ação em Juiz de Fora, quatro policiais civis de São Paulo foram presos já na manhã de segunda-feira (22), no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, sendo que dois eram delegados, Bruno Martins Magalhães Alves e Rodrigo Castro Salgado da Costa, e dois investigadores da corporação, Caio Augusto Freitas Ferreira de Lira e Jorge Alexandre Barbosa de Miranda. Eles tiveram suas prisões em flagrantes convertidas em prisões preventivas após audiência de custódia realizada no domingo (21) no Fórum Benjamim Colucci, em Juiz de Fora, e vão responder por lavagem de dinheiro.

Outros cinco policiais civis paulistas que também estavam em Juiz de Fora na data do incidente foram autuados, ouvidos pela Corregedoria, e seguirão sob investigação, mas em liberdade porque não foram encontrados na cena do crime. Eles foram pegos mais tarde, num carro branco descaracterizado. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) disse que aguarda a apuração do caso e que, se comprovados os desvios de conduta, os policiais envolvidos responderão administrativa e criminalmente, de acordo com os atos praticado por cada um.

Os três agentes da Polícia Civil de Minas Gerais que também trocaram tiros no estacionamento do hospital, por sua vez, não foram presos, mas devem responder por prevaricação, que é quando o funcionário público deixa de praticar o seu dever.

Já o corpo do policial civil Rodrigo Francisco, de 37 anos, foi velado e sepultado no Cemitério Municipal de Juiz de Fora. Ele deixa a esposa e uma filha de cinco anos.

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Após o tiroteio entre policiais civis mineiros e paulistas, a Polícia Militar de Minas Gerais, também apreendeu mais de R$ 14 milhões em notas falas (apenas cerca de R$ 1.500 eram verdadeiros), 16 armas, 16 celulares, cartuchos de munição, dois carros, coletes contra arma de fogo de uso restrito, distintivos de delegados da Polícia Civil que foram utilizados na operação. Elas serão periciadas e a análise vai revelar se os policiais civis de São Paulo usaram armas oficiais fora de serviço. Fora isso, um cartão bancário e uma carteira de habilitação em nome de outras pessoas foram encontradas do lado externo da inspetoria, perto da janela onde estavam os policiais de São Paulo. O caso segue em apuração na Delegacia de Homicídios de Juiz de Fora.