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Bombeiros estimam que ossada vista em meio aos escombros seja de Luzia, o fóssil mais antigo das Américas; cientistas do museu irão analisar material

Após buscas no Museu Nacional, bombeiros encontraram crânio que pode ser de Luzia, o fóssil mais antigo das Américas
Reprodução/TV Globo
Após buscas no Museu Nacional, bombeiros encontraram crânio que pode ser de Luzia, o fóssil mais antigo das Américas

Bombeiros informaram nesta terça-feira (4) que um crânio foi encontrado em meios aos escombros deixados após o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, em Cristóvão, zona norte da cidade. De acordo com informações da TV Globo , a equipe estima que o achado seja uma parte de Luzia, o fóssil humano mais antigo já encontrado nas Américas.

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O canal afirmou que um grupo de cientistas do Museu Nacional realizará analises do material para descobrir se o crânio pertence ou não a Luzia. A ossada foi identificada no mesmo cômodo onde era mantida e, segundo relatos, estaria esfarelada.

A chuva ao longo da madrugada desta terça foi responsável pelos avanços nas buscas e por apagar focos de incêndio ainda remanescentes. A Defesa Civil do Rio de Janeiro comunicou que o local está interditado porque há chance de desabamento do telhado, laje e divisórias do prédio. Já na área externa, a avaliação feita por técnicos mostrou que a espessura das fachadas não apresenta risco iminente.

Acervos de Museu Nacional em cofres podem estar a salvo

Corpo de Bombeiros realizou buscas para retirar peças que estavam em meio aos escombros no Museu Nacional do RJ
REPRODUÇÃO/AGÊNCIA BRASIL
Corpo de Bombeiros realizou buscas para retirar peças que estavam em meio aos escombros no Museu Nacional do RJ

Bombeiro que atuou no combate ao fogo durante o incêndio , Rafael Luz contou que se arriscou para salvar Luzia, mas acabou desistindo após se ferir durante o processo.

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Luz disse que se queimou depois de a luva que estava usando derreter enquanto tentava destrancar o armário que abrigava o crânio de Luzia . "Tentamos nos aproximar e abrir o armário, mas quando conseguimos, o móvel estava vazio. Na verdade, só tinha um ferro, que queimou os meus dedos. Doeu bastante. Saí do cômodo e chorei de frustração", relembra.

Anteriormente, pesquisadores do museu levantaram a possibilidade de as peças mais raras e valiosas estarem “intactas” dentro de cofres e armários de aço especiais. Eles reconheceram que o trabalho será árduo, devido à temperatura ‘escaldante’ e da fragilidade da estrutura do prédio.

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A vice-diretora do Museu Nacional , Cristiana Serejo, ressaltou que ao menos R$ 15 bilhões serão necessários para dar início à restauração do prédio, e que existem chances de itens estarem preservados após o incêndio. "A gente vai ter que aguardar. Mas a coleção de entomologia, de insetos, que ficava no terceiro andar, não resistiu. Isto foi uma perda gravíssima. Estava em armários compactadores, mas, como desabaram, foi um impacto muito grande", concluiu.

*Com informações da Agência Brasil

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