Tamanho do texto

Mônica afirma que tem recebido ameaças anônimas desde o assassinato da vereadora e seu motorista, no Rio de Janeiro, em 14 de março deste ano

Mônica afirma que tem recebido ameaças anônimas desde o assassinato de Marielle Franco em março deste ano
Arquivo pessoal/Mônica Benício
Mônica afirma que tem recebido ameaças anônimas desde o assassinato de Marielle Franco em março deste ano

A arquiteta Mônica Benício, viúva da vereadora Marielle Franco, será incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos. Ela afirma que tem recebido ameaças anônimas desde o  assassinato de Marielle e seu motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro, em 14 de março deste ano.

Segundo a arquiteta, o ministro Gustavo Rocha se comprometeu “com dar publicidade ao fato de que o assassinato da Marielle Franco foi um grave atentado contra os direitos humanos”.

Além de ameaças físicas, que podem ter relação com o assassinato de Marielle, a arquiteta disse que continua sendo alvo de manifestações de ódio. No início do mês, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), fez um pedido para que o Brasil adote medidas para protegê-la.

Na ocasião, o Ministério dos Direitos Humanos informou que, desde antes da decisão, já vinha realizando o trabalho de articulações com outros entes governamentais para garantir a  integridade de Mônica e que seguiria “realizando articulações com os outros órgãos federais e do estado do Rio de Janeiro, a fim de que se cumpra as decisões da CIDH ”. 

“Ontem, o ministério me ofereceu segurança. Conversamos para alinhar [as bases] e aceitei alguns recursos [protetivos]. Nada parecido ao programa de testemunhas, que é mais restritivo do que o programa de proteção aos defensores de direitos humanos”, disse Mônica, sem detalhar as medidas que vão ser adotadas a partir de agora.

Em nota em que classifica Marielle como “uma notável defensora dos direitos humanos”, o ministro Gustavo Rocha afirma que não se pode permitir a impunidade. “Temos que unir forças para desvendar esse caso. A elucidação tempestiva do caso é importante não apenas para a família, como para o Estado brasileiro, como garantia de que essa violência não torne a se repetir”.

Atualmente, 577 pessoas estão incluídas no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Segundo o ministério, só este ano, a União repassou R$ 11,7 milhões para a execução das ações e medidas de proteção, prevenção e resolução de conflitos relacionados aos defensores dos direitos em situação de risco e ameaça em todo o país.

Investigações sobre a morte de Marielle Franco

Polícia já sabe que a arma usada no assassinato de Marielle Franco foi uma submetralhadora
Fernando Frazão/Agência Brasil - 10.5.18
Polícia já sabe que a arma usada no assassinato de Marielle Franco foi uma submetralhadora

Os trabalhos da Delegacia de Homícidios da Capital (DHC) sobre o caso são conduzidos em sigilo, mas a polícia fluminense confirmou no fim de julho a prisão de dois suspeitos de participação nos assassinatos da vereadora e de seu motorista. Um desses presos é suspeito de ser um dos ocupantes do carro que disparou contra o veículo onde estava Marielle e Anderson. Os dois suspeitos são ex-militares. 

A polícia já sabe que a arma do crime foi uma submetralhadora e que a munição usada pelos criminosos era de um lote que havia sido destinado à Polícia Federal, mas que teria sido roubado na sede dos Correios na Paraíba, no ano passado (conforme versão do governo federal). Permanecem não respondidas as questões sobre o(s) autor(es) e o(s) mandante(s) dos assassinatos de  Marielle Franco  e Anderson Gomes.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.